O vilarejo de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, em Nova Lima (MG), acaba de ganhar uma homenagem cinematográfica que cruza séculos de história. O curta-metragem de animação “Vilarejo Macacos: uma jornada histórica no interior de Minas”, com direção e roteiro de Víktor Waewell, estreou em 30 de outubro de 2025, propondo uma experiência estética e afetiva sobre o dilema entre preservação e exploração.
O filme, produzido por Fabiana Lopes, utiliza uma narração poética e um visual de pintura expressionista para revisitar o território, desde a ocupação dos povos originários até os dias atuais, onde o turismo e a mineração disputam o espaço e o sentido da comunidade.
Expressionismo e Afeto na Tela
Não sendo natural da região, Víktor Waewell — autor best-seller e host do podcast Tormentas e Redemoinhos — escolheu Macacos como lar e sentiu-se compelido a preencher as lacunas da memória local. “A história de Macacos, até entre moradores, se fragmenta em lembranças orais e lacunas no tempo,” conta Waewell.
O diretor viu na animação um formato acessível para reunir pesquisa histórica, sensibilidade e imaginação. O curta de 11 minutos afasta-se do realismo literal, utilizando uma estética expressionista para traduzir emoção em cor, pincelada e movimento.
Entre as referências estéticas que inspiraram o filme estão obras icônicas como A Noite Estrelada, de Van Gogh, e O Grito, de Edvard Munch, além de filmes como Waking Life e Camponeses.
“Busquei traduzir a emoção para além do registro visual. A imagem é uma linguagem que carrega memória, paisagem e afeto”, afirma o diretor.
A Narrativa das Águas e o Tempo
Com classificação a partir de 14 anos, o curta é narrado por uma voz simbólica: as águas de Macacos. Essa voz representa o bem comum, a vida que atravessa gerações e a memória silenciosa do território.
Nessa jornada, emergem os personagens coletivos que moldaram a história do vilarejo:
- Povos originários: Guardiões do pertencimento à terra.
- Colonizadores e bandeirantes: Portadores da lógica da posse e da extração.
- Ciclo mineral contemporâneo: O eterno dilema entre desenvolvimento e impacto ambiental.
- Moradores e guardiões do saber ancestral: Preservando ritos, cantos e histórias.
O projeto, que contou com pesquisa de campo e a escuta dos moradores mais antigos, foi realizado por meio da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura do Governo Federal, com apoio da Prefeitura de Nova Lima.
O filme, que já causa burburinho no YouTube e nas redes sociais, será inscrito em festivais e mostras no Brasil e no exterior, levando a história de Macacos para o mundo. Assista!
Capa: Divulgação












































