Se tem uma coisa que Belo Horizonte sabe fazer como ninguém, é transformar simplicidade em sabor inesquecível. E poucos lugares traduzem isso com tanta autenticidade quanto o Bar da Lora, um daqueles cantinhos mágicos escondidos entre os corredores do Mercado Central, onde turistas viram fregueses e mineiros se sentem em casa. Agora, esse ícone da comida de boteco vai atravessar o mundo e marcar presença em um dos maiores encontros da gastronomia mundial: o Festival Internacional das Cidades de Gastronomia, em Macau, na China.
À frente dessa missão está Elisa Fonseca — ou simplesmente “a Lôra”, como é conhecida por quem já teve o privilégio de provar seu torresmo crocante, o tropeiro fumegante e, claro, o clássico fígado com jiló. Carismática, espontânea e fiel à raiz da cozinha mineira, Elisa é mais do que uma cozinheira: ela é uma contadora de histórias, que usa cheiro-verde, gordura quente e muito afeto como ingredientes principais.
Mesmo com algumas limitações logísticas (fígado com jiló não embarca tão fácil assim), o Bar da Lora promete fazer bonito com duas estrelas do seu cardápio: o torresmo, estalando de tão crocante, e o feijão tropeiro, carregado de tradição. Sabores que dispensam tradução e que falam diretamente à alma.
O convite para representar Belo Horizonte no festival é mais do que um prêmio: é o reconhecimento de uma forma de viver e cozinhar que nasce na chapa quente e chega ao coração. Aliás, BH carrega desde 2019 o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO, e não à toa. Aqui, a gastronomia é identidade, é patrimônio, é linguagem universal.
Macau, conhecida por ser um caldeirão de influências culturais, recebe esse ano chefs de diversos cantos do mundo para uma verdadeira celebração de sabores. E entre especiarias, ervas aromáticas e bancadas repletas de experimentações, vai estar lá o tempero mineiro, marcando presença com orgulho e muita personalidade.
A Lôra não viaja sozinha. Ela embarca ao lado da chef Bruna Rezende, do Porca Voadora, e do sorveteiro criativo Pedro Mendes, do @uaiesorvetes. Juntos, eles representam uma Belo Horizonte plural: que honra suas raízes, mas também se reinventa a cada garfada.
Mais do que uma viagem internacional, essa participação é um brinde à resistência dos botecos, à força das mulheres da cozinha, e à cultura mineira que não se curva às modas passageiras. É sobre carregar, no pano de prato e no sotaque, uma história que emociona e alimenta.
Se BH vai conquistar paladares lá na China? Isso já está garantido. Afinal, onde tem torresmo, tropeiro e o sorriso da Lôra, tem Minas inteira dentro de um prato.
Capa: Divulgação – Cumbuca












































