Neste 27 de julho, Dia do Pediatra, celebramos os profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado e desenvolvimento de crianças e adolescentes. Em Minas Gerais, essa especialidade se destaca não apenas pela sua fundamental importância, mas também pelo grande número de médicos que a escolhem. A Pediatria é a segunda área com mais especialistas no estado, ficando atrás apenas da Clínica Médica, o que reforça o compromisso mineiro com a saúde infantil.
Responsável pelo acompanhamento do desenvolvimento humano nos primeiros anos de vida, a especialidade ocupa a segunda posição em número de profissionais no estado. Dados da 8ª Demografia Médica 2025, divulgada em maio, revelam que, dos 74,4 mil médicos em Minas Gerais, 5.637 são pediatras. A Clínica Médica, com 7.595 especialistas, é a única que supera a Pediatria em número de profissionais no solo mineiro.
Para a pediatra e professora do curso de Medicina do Centro Universitário UniBH, Mariane Ladeira, a essência de um bom profissional na área vai muito além do conhecimento técnico. Ela enfatiza que a empatia é um requisito fundamental para compreender as angústias dos pais, especialmente os de primeira viagem. “A mensagem no celular que chega fora de hora perguntando se ‘o cocô está normal’ traz consigo uma demonstração de confiança e, ao mesmo tempo, insegurança. Logo, o pediatra acaba sendo uma espécie de conselheiro para os pais”, explica Mariane. Ela destaca que, em uma era de acesso rápido à informação, a escolha dos pais em buscar o médico demonstra a confiança depositada no profissional, exigindo paciência e acolhimento.
Atendimento Humanizado e Vínculo Familiar: Pilares da Pediatria
Mariane Ladeira também aponta a importância de um atendimento humanizado, que coloca o paciente no centro dos cuidados de forma individualizada. Segundo a médica, lidar com pessoas não é uma “receita de bolo padronizada”, pois cada caso no consultório possui uma história e um contexto únicos. “O pediatra é a extensão da família, pois de certa forma participa da rotina da casa, quer detalhes do sono, dos vínculos de amizade, da alimentação, das atividades de lazer e trabalho”, afirma.
Nesse sentido, a professora do UniBH ressalta que construir um vínculo com a família, pautado no respeito, é crucial para o desenvolvimento saudável da criança durante as consultas. “A primeira missão do pediatra, principalmente quando se trata de um novo paciente, é passar segurança e respeito para a criança, ou seja, fazer com que ela entenda que atrás da mesa do consultório há um amigo e não um julgador”, explica Ladeira. Estratégias como sentar-se ao chão com o paciente, colocar-se em igualdade e brincar, tornando a experiência das consultas mais lúdicas e divertidas, contribuem para esse estreitamento de laços, mesmo que leve tempo para ser construído.
A Escuta Ativa como Ferramenta Essencial
Por fim, a pediatra reforça que a escuta ativa com a família é outra estratégia crucial no trabalho. Como o médico não está 24 horas com os pais, é fundamental que haja confiança mútua para que a rotina do filho seja compartilhada com clareza. “Por vezes a família chega no consultório apenas com a necessidade de ser ouvida, pois solução eles já têm, e é isso que nós, pediatras, devemos fazer: ouvi-los, sem julgamentos e saber lidar com as mais diversas situações. Muitas vezes eles só querem escutar que ‘está tudo bem’ ou o ‘vai ficar tudo bem’ para respirarem aliviados”, conclui Mariane Ladeira.
A Pediatria, portanto, vai além do diagnóstico e tratamento de doenças, consolidando-se como uma especialidade que exige empatia, humanização e uma profunda conexão com as famílias para garantir o bem-estar e o desenvolvimento integral das crianças.
Capa: Divulgação












































