Com produção em Três Pontas, empreendimento une o terroir do café, armazenamento em madeiras nobres, música clássica no processo de fermentação e recepção calorosa no turismo rural.
O que começou em 2010 como um refúgio de descanso para reunir a família transformou-se em uma das trajetórias mais surpreendentes do mercado de destilados em Minas Gerais. Em Três Pontas, no Sul do estado, o casal Paulo Sérgio de Souza Rodrigues e Regina Helena Sierra Rodrigues é o nome por trás da Cachaça Divina Cana, marca criada em 2022 que hoje concilia prêmios internacionais, rigor técnico e uma experiência completa de hospitalidade mineira.
A relação do casal com a cidade começou em 1999, quando deixaram Franca (SP) para atuar no setor funerário local. Anos depois, adquiriram uma propriedade rural que foi sendo moldada aos poucos por Regina com jardins, uma casa acolhedora e a restauração de uma antiga igrejinha, remetendo às lembranças da casa de seus avós.
A virada para a produção de cachaça ocorreu em 2015, após o falecimento do pai de Paulo. Buscando uma atividade para desacelerar a mente e honrar a memória do pai — um grande admirador de alambiques —, Paulo decidiu adquirir um equipamento em Três Pontas.
Químico de formação, ele aplicou o olhar analítico ao novo hábito, aprendendo cada etapa na prática:
- 2016: Atingiu a marca de 2 mil litros produzidos sem fins comerciais.
- 2020 (Pandemia): O isolamento no sítio permitiu aperfeiçoar processos e focar na qualidade.
- Agosto de 2022: Lançamento oficial da marca Divina Cana no mercado.
Ciência, terroir e música na fermentação
Atualmente, a produção utiliza 4,5 hectares de cana-de-açúcar cultivados na própria propriedade, respeitando o relevo, o clima e a proximidade com os tradicionais cafezais do Sul de Minas — elemento que agrega um terroir único à bebida. Em 2025, a produção atingiu 17 mil litros, acumulando um estoque de mais de 110 mil litros em envelhecimento.
Na busca pela excelência, nenhuma bebida é engarrafada antes de completar dois anos de armazenamento em madeiras nobres, como jequitibá, castanheira, carvalho europeu, carvalho americano ex-rum e carvalho americano novo.
Na etapa de fermentação, o rigor biológico com cepas de leveduras selecionadas ganha um toque poético: o ambiente das dornas é embalado por música clássica e canções de Milton Nascimento, ilustre filho de Três Pontas.


“Não atribuo à música um efeito científico sobre as leveduras, mas acredito que todo ser vivo se manifesta melhor em um ambiente tranquilo. Se elas estão trabalhando, por que não proporcionar um ambiente agradável? A música faz parte do nosso jeito de produzir e de valorizar a nossa terra”, explica Paulo.
Premiações e rótulos que contam histórias
A atenção aos detalhes rendeu conquistas expressivas em concursos de prestígio:
- Spirits Selection do Concours Mondial de Bruxelles (2024): Medalha de Prata para a cachaça Divina Cana Febo.
- 1º Concurso de Cachaças de Alambique e Aguardentes de Cana Mineiras (Emater-MG / 2024): Medalha de Bronze na categoria Premium para a Divina Cana Febo e Medalha de Ouro / Grande Destaque na categoria Extra Premium para a Divina Cana Júpiter, entre mais de 220 amostras avaliadas.
A linha regular inspira-se na mitologia greco-romana (Netuno, Febo, Júpiter, Vulcano, Minerva e Mercúrio). Além disso, a destilaria aposta em edições comemorativas conectadas ao município, como a Divina 165 e a Divina 168, lançada em homenagem às mulheres produtoras de café em parceria com a cooperativa local, acompanhada de saches de drip coffee.

Hospitalidade e rota turística
A estrutura produtiva transformou-se naturalmente em um polo de turismo rural. As visitas guiadas passam pelo alambique com explicações técnicas de Paulo e terminam em uma harmonização conduzida por Regina, com pães, doces e embutidos artesanais preparados por ela mesma.
Com o suporte do Sebrae Minas através do programa Origem Minas e a inclusão da propriedade na Rota Turística dos Cafés do Sul de Minas, a Divina Cana projeta a cultura e o potencial de Três Pontas para visitantes do país inteiro, unindo história, afeto e a excelência da cachaça artesanal de alambique.

Mais do que produzir uma bebida premiada, Paulo e Regina transformaram o sítio em Três Pontas em um ponto de encontro entre tradição, afeto e a autêntica hospitalidade mineira. Ao abrir as portas da propriedade para quem deseja conhecer os segredos do alambique e saborear uma harmonização feita em casa, o casal prova que o grande diferencial da Divina Cana está no tempo, no cuidado e nas histórias compartilhadas em torno de cada garrafa.
📷 Capa – Divulgação














































