Com direção compartilhada entre Duna Dias e o diretor cego Oscar Capucho, “RISCO” estreia com entrada franca e propõe uma dramaturgia baseada nos sentidos e na resistência política do corpo.
Completar 15 anos de trajetória no cenário cultural brasileiro é, por si só, um ato de resistência. Para o Grupo Contemporâneo de Dança Livre, essa celebração ganha contornos de ousadia com a estreia de “RISCO”, que ocupa a Funarte MG entre os dias 15 e 17 de maio. O espetáculo não apenas comemora a década e meia de vida do coletivo, mas propõe uma ruptura estética ao inverter a lógica da dança: aqui, a visão cede lugar ao toque, à escuta e à sensação.
A grande novidade da montagem é a direção dividida entre Duna Dias, idealizadora do grupo, e Oscar Capucho, ator e dançarino com deficiência visual. Parceiros de longa data, a dupla decidiu “misturar as tintas” para criar uma obra que investiga o perigo, a instabilidade e a teimosia de viver em um mundo atravessado por violências.
Para Oscar, o processo foi uma oportunidade de levar o elenco a trabalhar a “estética do movimento de risco”. Um dos exercícios propostos envolveu ensaios sem roupas, buscando libertar os bailarinos do julgamento estético do “olhar do outro” para focar na textura e na presença da pele.
“Eu quis valorizar esses corpos, trabalhando uma sensualidade sutil. É sobre não ter a preocupação com o que o outro está vendo, e sim com o que eu estou propondo a fazer”, explica Oscar Capucho.
Dramaturgia dos Sentidos
A escolha por uma direção que não prioriza a visão é, segundo Duna Dias, um posicionamento político. “O corpo expande quando passamos a construir imagens a partir de outros referenciais”, afirma a diretora. O resultado é uma cena viva, onde a trilha sonora do músico piauiense Érico Ferry, executada ao vivo, dialoga com a fala e o movimento dos dançarinos Duna Dias, Heloisa Rodrigues, Leonardo Augusto e Socorro Dias — esta última, fundadora do grupo, que recentemente celebrou 45 anos de palco.

Resistência Cultural
Com passagens por 14 países e um currículo que inclui 17 espetáculos e 40 videodanças, o Grupo Contemporâneo de Dança Livre vê em “RISCO” o reflexo de sua maturidade. A obra foi viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc de Minas Gerais e reafirma o papel do coletivo na formação de público e na promoção da acessibilidade na dança contemporânea.
Serviço: Estreia de “RISCO”
- Datas: 15, 16 e 17 de maio (sexta a domingo)
- Horário: 20h
- Local: Funarte MG (Rua Januária, 68 – Centro, Belo Horizonte)
- Entrada: Franca (sujeita à lotação)
- Acessibilidade: Sessão com audiodescrição no dia 17 de maio.
- Informações: @gcontemporaneodedancalivre
Ficha Técnica Resumida
- Direção e Dramaturgia: Duna Dias e Oscar Capucho
- Performance: Duna Dias, Heloisa Rodrigues, Leonardo Augusto e Socorro Dias
- Trilha Sonora: Érico Ferry
- Iluminação: Pâmela Rosa
- Realização: Grupo Contemporâneo de Dança Livre e Política Nacional Aldir Blanc MG.
Capa: Risco – Crédito: Duna Dias












































