Aproximação entre assistência social e a rede hoteleira gera oportunidades de emprego, recupera a autoestima e fortalece a autonomia financeira feminina.
Para quem observa do lado de fora, a recepção de um hotel pode parecer o único ponto de contato com o setor. Para um grupo de mulheres atendidas pelo programa social FAS para Elas, no entanto, atravessar a porta dos bastidores da operação representou o primeiro passo para a reconstrução de suas trajetórias profissionais.
Em uma iniciativa que une gestão pública e o setor privado, as participantes realizaram uma imersão prática na rotina do hotel Bleev Curitiba, da rede HCC Hospitality. Durante a ação, elas percorreram setores estratégicos — como recepção, governança e atendimento ao hóspede —, conversaram com gestores e conheceram a dinâmica de uma das indústrias que mais geram empregos no país.
Carreira rápida e porta de entrada
Um dos grandes diferenciais da hotelaria é a acessibilidade para quem busca o primeiro emprego ou a recolocação profissional sem experiência anterior na área. A promoção interna e o aprendizado prático tornam o setor fértil para a ascensão rápida.
É o caso da atual supervisora de governança do Bleev Curitiba, que ingressou na unidade como camareira, sem vivência prévia na função, e hoje lidera toda a equipe do setor. Para a gerente-geral da unidade, Carolina Sniecikoski, histórias assim comprovam o potencial transformador do segmento: “A hotelaria oferece muitas oportunidades para quem se dedica. É extremamente gratificante acompanhar essa evolução”, destaca.

Autonomia e resgate da autoestima
A aproximação direta com o mercado corporativo visa quebrar barreiras invisíveis. Conhecer a rotina interna das empresas ajuda a desmistificar processos seletivos e devolve a confiança necessária para que as mulheres busquem vagas formais.
“Quando a mulher conhece a rotina da empresa, conversa com profissionais e entende as oportunidades existentes, ela ganha mais segurança para buscar uma vaga. Essa aproximação amplia horizontes e fortalece o caminho para a autonomia financeira”, afirma Renan de Oliveira Rodrigues, presidente da Fundação de Ação Social (FAS).
Para as participantes, o impacto vai além do aprendizado técnico. Mari Terezinha Beija, de 59 anos, moradora do Bairro Novo do Caximba, enfrentou décadas de dificuldades antes de encontrar no projeto um espaço de acolhimento. Durante a visita, o grupo usou lenços cor coral confeccionados por elas próprias em oficinas de crochê, produzidos a partir de materiais arrecadados na Campanha do Agasalho — um símbolo visual da união e da reconstrução de cada uma.
“Quando a gente chegou ao projeto, muitas de nós já tinham perdido a esperança. Agora estamos nos preparando para mostrar quem somos e tudo o que ainda podemos construir”, pontua Mari Terezinha, que hoje também mantém um pequeno ateliê de costura em casa.
A ação reforça que a integração entre o poder público e a iniciativa privada é um caminho viável e replicável para gerar impacto social direto, promovendo não apenas empregabilidade, mas a transformação real de histórias de vida.
📷 Capa: Bleev -FAS para-ELAS – Divulgação












































