O setor cultural de Minas Gerais vive seu maior ciclo de crescimento. Dados da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) revelam um salto extraordinário nos investimentos e incentivos: entre 2019 e 2025, o volume de recursos cresceu 439%, passando de R$ 57,6 milhões para os atuais R$ 310,7 milhões.
As cifras inéditas – que somam programas estruturais (IFC e FEC) e leis emergenciais (Aldir Blanc, Paulo Gustavo e PNAB), totalizando mais de R$ 1,3 bilhão em execução no período – consolidam o estado como uma referência nacional em políticas públicas de fomento cultural.
O “Coração da Transformação”: O Programa Descentra Cultura
O principal motor desse avanço é o Programa Descentra Cultura, considerado o maior movimento de desconcentração de recursos culturais da história mineira.
Antes da sua implementação, a cultura em Minas era altamente centralizada: cerca de 95% dos recursos ficavam concentrados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, essa realidade foi radicalmente alterada: 60% do total é executado no interior, alcançando todas as regiões, do Norte e Jequitinhonha ao Triângulo e Zona da Mata.
Essa política de descentralização tem impulsionado:
- Festivais e Festas Populares: Fortalecimento de congados, folias de reis e celebrações locais.
- Artes Cênicas e Audiovisuais: Apoio a mostras de cinema, festivais de teatro, grupos de dança e música.
- Economia Criativa: Garantia de recursos para escolas de arte, produtores e coletivos em pequenos e médios municípios.
A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, resume a essência dessa mudança:
“A descentralização é o coração dessa transformação. Quando levamos os recursos para além dos grandes centros e confiamos na capacidade criativa de cada território, a cultura floresce com autenticidade e força própria.”

Fomento e Resiliência: O Papel das Leis Emergenciais
O crescimento recorde também reflete a gestão eficaz das Leis Emergenciais de Fomento, que garantiram a resiliência do setor durante e após a pandemia.
Desde 2020, com a Lei Aldir Blanc, e mais recentemente com a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), foram injetados mais de R$ 472 milhões de forma descentralizada. Somente no segundo ciclo da PNAB em 2025, estão em execução mais R$ 106 milhões. Esse esforço consolida um ecossistema cultural forte, diverso e sustentável em Minas.

Cultura como Potência Econômica
O boom cultural tem um reflexo direto na economia mineira. Com a expansão dos investimentos, o estado alcançou recordes históricos na geração de emprego e renda no setor.
De acordo com dados do IBGE e do Observatório do Turismo, entre maio e junho de 2025, a cultura foi um grande motor de contratações formais, com a criação de 1.096 novos postos de trabalho. No total, o setor cultural emprega 375.951 pessoas no estado, um aumento de 2,20% em relação ao ano anterior.
Capa: Crédito: Acervo Secult MG












































