O Museu Mineiro, em Belo Horizonte, recebe a partir de 27 de novembro a exposição “Fábrica de Pedras”, um conjunto inédito de obras em colaboração dos artistas Daniella Domingues e Victor Galvão. A mostra é o resultado de extensas pesquisas de campo em regiões vulcânicas e de uma profunda experimentação que transita entre a fotografia, a escultura, a instalação e o desenho.
A exposição convida o público a uma imersão na observação dos processos geológicos como forças primordiais de criação, destruição e reorganização da matéria.
A Força Geológica como Gesto e Ficção
O título, Fábrica de Pedras, remete à própria natureza dos vulcões, vistos pelos artistas como mecanismos que “criam camadas novas de matéria e transformam completamente o território ao redor, reorganizando tudo o que existia ali antes”, explica Victor Galvão.
Essa observação orienta a lógica da exposição, que trata a força geológica tanto como um gesto artístico quanto como uma ficção, explorando o assombro que acompanha o encontro com os vulcões.
- Materiais e Linguagens: O tema aparece de modo literal, em vídeos e fotografias realizados em áreas vulcânicas, e também simbolicamente, na escolha de materiais como o enxofre, presente tanto nas imagens quanto na composição das esculturas.
- Camadas Visuais: As obras formam uma paisagem em camadas, utilizando impressões fotográficas em diferentes tecidos e papéis, desenhos em cianotipia e objetos que articulam moldagem e assemblage com pigmentos e minerais.


Entre o Acidental e o Humano
Todos os trabalhos foram produzidos especialmente para a mostra, permitindo uma construção precisa na relação entre materiais inusitados, como gesso, poliuretano, seda, pedra, enxofre e cera de abelha.
Para Daniella Domingues, a produção é um diálogo constante: “Cada peça nasce de uma referência geológica, mas não se limita a ela — há sempre um deslocamento para outras materialidades, um contraste entre o acidental e o intencional, entre a forma natural e o gesto humano”. Os artistas descrevem o processo como uma ação quase ritualística, tentando reproduzir formas naturais ao mesmo tempo em que imprimem nelas algo profundamente humano.
A base do vocabulário compartilhado foi formada por vivências em áreas vulcânicas como Vesúvio, Campi Flegrei, Etna (Itália), Cotopaxi, Galápagos (Equador) e Popocatépetl (México).
Parceria por Expansão
A colaboração entre Daniella e Victor não opera por complementaridade, mas por expansão. Victor comenta: “Trabalhar junto torna tudo mais ágil e mais livre — editamos e desenvolvemos com naturalidade o que o outro começa. Isso nos incentiva a testar limites.”
O desejo final é despertar no público o mesmo assombro que os inspira. Como conclui Daniella: “As escalas de força, tempo e movimento que envolvem a Terra ultrapassam a nossa experiência humana e nos lembram que também somos matéria em transformação”.
Serviço
- Exposição: Fábrica de Pedras — Daniella Domingues e Victor Galvão
- Em Cartaz: Até 18 de janeiro 2026
- Visitação: terça a sábado, das 10h às 17h
- Local: Museu Mineiro
- Endereço: Av. João Pinheiro, 342, Funcionários – Belo Horizonte
- Entrada: Gratuita
Capa: Crédito: Victor Galvão












































