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MOSTRA NO CENTRO DE ARTE POPULAR HOMENAGEIA FREI CHICO E CELEBRA A CULTURA DO VALE DO JEQUITINHONHA

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“Sacralização da Vida: Do Rosário ao Jequitinhonha” estreia neste sábado (12/07), às 14h, no Centro de Arte Popular, em Belo Horizonte, com uma programação especial que celebra o legado de Frei Chico (Francisco Van der Poel) — frade holandês que dedicou sua vida ao estudo e valorização da cultura e religiosidade popular do Vale do Jequitinhonha.

A abertura contará com a presença da ceramista e artista Maria Lira Marques, parceira de Frei Chico nas pesquisas culturais da região, e com apresentação do Coral Trovadores do Vale, grupo fundado pelo próprio frei em 1970. Na ocasião, também será lançado o livro “Palavras Avoam – Bilhetes sobre a Mesa”, uma delicada compilação de anotações manuscritas do frade, publicada pelo Selo Editorial Starling.

A exposição poderá ser visitada até 28 de setembro de 2025 e reúne uma série de obras e documentos originais, incluindo livros escritos por Frei Chico, como “Dicionário da Religiosidade Popular” e “Ritual de Bênçãos Simplificado”, além de objetos pessoais, como seu hábito bordado, viola, rabeca e tambor — relíquias que traduzem a sensibilidade e dedicação de um pesquisador apaixonado pelo povo do Vale.

O frade que ouviu o povo

Frei Chico nasceu na Holanda em 1923 e chegou ao Brasil como missionário franciscano. Foi no Vale do Jequitinhonha que encontrou sua missão de vida: preservar, documentar e valorizar a fé e a arte popular do povo mineiro. Sem jamais se impor ou distanciar, ele aprendeu com os moradores, participou de celebrações, catalogou cantos e danças e eternizou histórias muitas vezes orais em livros e registros.

Centro de Arte Popular – Divulgação

Para além da pesquisa acadêmica, sua atuação foi profundamente comunitária: criou o Coral Trovadores do Vale, participou da fundação do Museu de Araçuaí, organizou mutirões e cultivou amizades que duraram décadas. Como ele gostava de dizer: “Palavras avoam, a escrita fica” — e sua escrita, de fato, permanece viva, tocando gerações.

O Museu de Araçuaí e a continuidade de um legado

Coidealizado por Frei Chico e Maria Lira Marques, o Museu de Araçuaí guarda o acervo construído desde os anos 1970 com registros da história, das tradições e da religiosidade popular do Vale. A mostra no CAP é realizada em parceria com a instituição e reforça o compromisso de manter viva a memória de um dos territórios culturais mais ricos de Minas Gerais.

Centro de Arte Popular – Divulgação

Formado em 1970, o Coral Trovadores do Vale se tornou símbolo da musicalidade tradicional do Jequitinhonha. Seu repertório é um verdadeiro tesouro da oralidade popular, com cantos de canoeiros, lavadeiras, tropeiros, penitentes e boiadeiros. As canções retratam o trabalho, a fé, o amor, a cura e o cotidiano de um povo que canta sua própria história.

Serviço

Exposição: Sacralização da Vida: Do Rosário ao Jequitinhonha
Abertura: Sábado, 12 de julho de 2025, às 14h
Período de visitação: De 12 de julho a 28 de setembro de 2025
Local: Centro de Arte Popular – Espaço de Convivência
Rua Gonçalves Dias, 1.608 – Lourdes, Belo Horizonte

Mais que uma homenagem, a mostra é um reencontro com a fé, a arte e a simplicidade que moldam a alma do Vale do Jequitinhonha — agora eternizadas na obra de um frade que escolheu ouvir antes de falar.

Capa: Maria Lira Marques Borges – Crédito: Lori Figueiro