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O AVESSO DA ROSA – ENSAIO MERGULHA NOS SÍMBOLOS E NO MISTÉRIO EXISTENCIAL DE DRUMMOND

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Novo livro de Eduardo Bezerra Cavalcanti analisa “A rosa do povo” sob as lentes da psicologia analítica e da fenomenologia, revelando as camadas subjetivas de uma das obras mais políticas do poeta mineiro.

A obra A rosa do povo (1945) é frequentemente citada como o ápice do engajamento social de Carlos Drummond de Andrade, escrita sob o impacto da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo. No entanto, um novo estudo literário propõe um olhar para além do contexto histórico imediato. Em “O pensamento simbólico em Drummond” (Editora Cubzac), o pesquisador Eduardo Bezerra Cavalcanti convida o leitor a desvendar o “itinerário crítico” que une a angústia política ao mistério metafísico.

A Dialética entre o Mundo e o Eu

O ensaio busca conciliar abordagens que, à primeira vista, parecem distantes. De um lado, a conjuntura histórica de opressão e colapso das utopias; de outro, a jornada interior do indivíduo. Segundo Cavalcanti, a poesia de Drummond nesse período não é apenas um documento de época, mas um campo de batalha onde o “eu” tenta se reconstruir em meio aos escombros.

O autor utiliza uma visão multidisciplinar, valendo-se da psicologia e da filosofia para iluminar o alcance subjetivo dos poemas. Para isso, ele identifica núcleos simbólicos que se repetem e se transformam ao longo da obra: o áporo, o labirinto, o círculo, o cristal e a cidade.

Jung, Bachelard e o Enigma de Carlito

Um dos pontos altos do estudo é a aplicação do conceito de “processo de individuação”, de Carl G. Jung, à lírica drummondiana. Cavalcanti sugere que a recorrência de certos símbolos é uma resposta do poeta à fragmentação do mundo moderno. Essa perspectiva dialoga com a fenomenologia da imaginação de Gaston Bachelard e com a abordagem existenciária de Martin Heidegger — esta última, uma trilha aberta anteriormente pelo crítico Affonso Romano de Sant’Anna.

A análise culmina na figura enigmática de Carlito. O personagem chapliniano, visto como um “duplo” de Drummond, surge como a síntese desse processo: um ser que concentra o sofrimento, a memória e a resistência da condição humana diante do absurdo.

Eduardo Bezerra Cavalcanti é pernambucano e licenciado em Letras pela PUC-Rio. Com uma trajetória sólida na pesquisa, atuou no Instituto Nacional do Livro e na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). É autor de Hélio Feijó: leitura de imagens (2001) e colaborador frequente em publicações sobre artes e ciências sociais.

Serviço

  • Título: O pensamento simbólico em Drummond – estudo literário
  • Autor: Eduardo Bezerra Cavalcanti
  • Editora: Cubzac (Recife, 2024)
  • Onde encontrar: * Belo Horizonte: Livraria Scriptum e Livraria da Rua.
    • São Paulo: Livraria Martins Fontes.
    • Brasília: Livraria Campus UnB.
    • Curitiba: Livraria Telaranha.
    • Outras cidades: Ouro Preto (Livraria São José), Goiânia (Palavrear) e Florianópolis (Livraria Latinas).