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O CONTROLE DO FOGO, A FOME, AS MÃOS, A FORJA – O AVANÇO HISTÓRICO DA HUMANIDADE

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Caros leitores,

Alguma vez vocês já tiveram a experiência de acampar? É sobre isso que vamos falar. Imagine-se em um lugar onde o telhado é o céu. Se for noite, a luz vem da lua; se for dia, do sol. De repente, começa a chover, ventar. O carro ficou lá embaixo, o tempo fechou, e não deu tempo de montar a barraca. Está esfriando. Vêm a sede, a fome… O bujãozinho de gás não funciona, o celular está sem sinal.

O que nos consola é a certeza de que esse perrengue vai passar.

Agora, voltemos no tempo. Seis ou sete mil anos antes de Cristo. Tudo ao redor era um desafio. A humanidade dava seus primeiros passos. A natureza era puro mistério — e, convenhamos, continua cheia de enigmas até hoje.

Naquela época, o ser humano começou a criar e lapidar pedras que serviam para caçar, se defender e desenvolver os primeiros instrumentos. Mas nossa maior e mais importante ferramenta sempre foram as mãos.

A descoberta e o controle do fogo foram, sem dúvida, as mais importantes conquistas da humanidade — no passado, no presente e no futuro. Nada foi tão transformador quanto dominar o fogo.

Com a pedra lascada em mãos, e atuando em grupo, a humanidade melhorou sua capacidade de caça, passou a se alimentar melhor, a proteger o corpo com couros. O fogo permitiu explorar cavernas, assar alimentos, aquecer-se — melhorando não só a dieta, mas também a sobrevivência.

Mas o que isso tem a ver com artesanato? Tudo!

A arte de “curtir” o couro trouxe conforto. O domínio das mãos possibilitou a criação de roupas, calçados, bolsas. Antes da forja, usavam-se espinhos, fibras vegetais, tendões de animais. Com ossos, começaram a produzir ferramentas — inclusive agulhas. Os grupos humanos fortaleceram suas culturas por meio dos artefatos feitos artesanalmente.

Para sobreviver, era preciso observar. E foi assim que, segundo algumas teorias, o ser humano chegou ao cobre: talvez ao notar, por acaso, que uma pedra diferente havia derretido nas fogueiras e endurecido depois. O fogo revelava novos caminhos.

Vale lembrar de um dos primeiros instrumentos de transporte: o saco — precursor das capangas. Até então, carregar frutas, sementes, água e ferramentas era tarefa difícil, que exigia muitas pessoas. Com o artesanato e o domínio de técnicas de costura com couro e fibras, o transporte foi revolucionado. A vida mudou.

Com o domínio do fogo, surgiu um novo tipo de sabedoria. As mestras e mestres da fornalha passaram a ser reverenciados — ou temidos. Os segredos da fundição com minerais eram guardados com a vida, pois representavam poder, defesa e influência.

A forja e a fundição abriram novas possibilidades. Os artesãos do metal tornaram-se figuras sagradas. Afinal, o fogo era um elemento divino em muitas culturas.

Na cultura Tupi-Guarani, Guaraci, filho de Tupã, é associado ao fogo. No panteão Yorubá, Ogum é o deus do ferro, da metalurgia e da guerra. Na mitologia greco-romana, Vulcano é o deus do fogo e das armas dos deuses.

Na Ásia, temos Agni na Índia; Zhurong na China; no Japão, Amaterasu, deusa da luz e da energia, e Kagutsuchi, deus do fogo. O sagrado e o profano se encontram no fogo — elemento que moldou civilizações, culturas, artes e, claro, o artesanato.

Como fã de mangás, doramas e todos os seus estilos, convido vocês a assistirem às histórias de guerreiros e suas magníficas espadas. E também a conhecerem a cultura moura e sua influência sobre a Europa, nas adagas finamente forjadas e nas joias impressionantes.

Com o tempo, a humanidade começou a combinar metais, criando ligas. O cobre tornou-se mais fácil de trabalhar. Surgiram lanças, espadas, copos, panelas, adornos…

Mas a verdadeira joia da coroa do artesanato foi a criação de agulhas de metal. Por quê? Porque com elas foi possível costurar roupas mais complexas, bordar, tricotar — expressar, com fios e tecidos, a arte e a identidade de diversos povos. Ao lado das agulhas, surgiram as tesouras — essenciais para cortar panos e couros.

Os persas e mouros levaram à Europa não só sua arte e cultura, mas também o conhecimento médico. O mestre Avicena (Ibn Sina) foi um dos grandes nomes, deixando um legado imenso, inclusive no uso de instrumentos metálicos.

Naquela época, não havia produção industrial. Tudo era feito em pequenos ateliês, por mãos habilidosas, por mestres e mestras do ofício.

E aqui encerramos esta etapa da nossa conversa. Na próxima, falaremos sobre o Artesanato e a Cozinha dos Povos Originários e Africanos.