Sommelier quebra mitos e traz novas ideias sobre como consumir vinhos nos dias frios
Quando as temperaturas caem, é quase instintivo: muita gente recorre a uma taça de vinho para aquecer o corpo e a alma. E, geralmente, a escolha recai sobre os tintos mais encorpados, servidos em temperaturas mais elevadas do que no verão. Mas será que essa lógica faz mesmo sentido?
Para esclarecer as dúvidas mais comuns da estação — e desconstruir alguns mitos — o sommelier Tiago Locatelli, da Enoteca Decanter Blumenau, compartilha orientações práticas e curiosidades que podem mudar a forma como você aprecia vinhos no inverno.

Vinho tinto é mesmo o mais indicado para o inverno?
Sim — mas não só por ser tinto. Segundo Locatelli, “o que combina com o inverno são vinhos com mais corpo e teor alcoólico um pouco mais elevado, que trazem sensação de calor ao paladar”. Isso inclui, claro, muitos tintos, mas também brancos mais estruturados, como alguns Chardonnays ou Viogniers.
Além disso, pratos típicos do frio — como assados, risotos e cozidos — pedem bebidas que acompanhem sua intensidade. E vinhos mais encorpados fazem justamente esse papel.
Cada tipo de vinho tem sua temperatura ideal de serviço, mas o paladar pessoal tem muito peso. “No inverno, é natural que os vinhos sejam servidos um pouco mais quentes que no verão. Mas é importante não deixar o vinho aquecer demais, pois isso pode desequilibrar seus aromas e sabores”, alerta o sommelier.
Dica de ouro: se você deixou a garrafa aberta por muito tempo na sala aquecida, vale colocar no balde de gelo por alguns minutos antes de servir.
Vinhos mais encorpados realmente ‘abraçam’ melhor no frio?
Vinhos mais encorpados realmente ‘abraçam’ melhor no frio. “É como uma comida bem temperada em um dia gelado: aquece, envolve, acolhe”, diz Locatelli. Essa sensação de conforto é comum em vinhos com taninos mais firmes, sabores intensos e presença marcante na boca.
O Consumo de vinho realmente aumenta no inverno, especialmente no Brasil, onde ainda se associa muito o vinho ao clima frio. “Vemos um crescimento de vendas nesta época, especialmente dos tintos. Mas isso está mudando”, observa o especialista. Ele destaca que rosés e brancos vêm ganhando espaço ao longo de todo o ano, inclusive no inverno — especialmente quando bem harmonizados.

Espumantes não são só para o verão, Locatelli destaca que espumantes mais estruturados e complexos — como os grandes espumantes italianos da casa Ferrari — combinam perfeitamente com o inverno e podem acompanhar pratos elaborados como risotos, massas com molho branco ou carnes brancas.
A dica? Servi-los um pouco menos gelados do que no verão, para realçar seus aromas e texturas.
No fim das contas, vale a regra de ouro: experimente!
Não existe regra absoluta quando se trata de vinho. Como bem resume o sommelier: “O vinho certo é aquele que agrada o seu paladar.” Seja ele tinto, branco, rosé ou espumante — o importante é descobrir, provar e aproveitar a experiência.
Então, que tal aproveitar o inverno para sair do óbvio e explorar novos rótulos e sensações?












































