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O VINHO É BOM OU APENAS FAMOSO?

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Outro dia me perguntaram qual era o melhor vinho que eu já havia provado.

A pergunta parece simples, mas a resposta não é.

Primeiro porque gosto é algo muito pessoal.
Segundo porque um bom vinho não é definido pelo preço, pelo tamanho da adega ou pela fama do rótulo.

Ainda existe uma ideia muito comum de que quanto mais caro o vinho, melhor ele será. Na prática, isso está longe de ser verdade.

Claro que existem grandes vinhos que custam caro. Afinal, produzir qualidade exige trabalho, conhecimento, tempo e, muitas vezes, uma produção limitada.
O problema é quando o consumidor passa a acreditar que preço e qualidade são sinônimos.

Não são.

Muitas vezes estamos pagando pela marca, pela região, pelo prestígio acumulado ao longo dos anos e por estratégias de marketing extremamente eficientes.

Enquanto isso, excelentes produtores seguem quase anônimos para grande parte do mercado.

O mundo do vinho está cheio de rótulos famosos que vendem mais história do que conteúdo dentro da garrafa.
E também está cheio de vinhos discretos, pouco conhecidos, que entregam muito mais do que custam.

Isso acontece no Brasil, na Argentina, no Chile, em Portugal, na Espanha, na Itália e praticamente em todos os países produtores.

Nos últimos anos, o vinho brasileiro é um dos melhores exemplos disso.
Vinícolas como a Lídio Carraro, Guaspari, Maria Maria, Bárbara Eliodora,Sacramentos e tantas outras vêm produzindo rótulos capazes de competir com vinhos estrangeiros muito mais caros.

Não se trata de patriotismo. Trata-se de qualidade.

O consumidor brasileiro amadureceu.
As vinícolas evoluíram.
Os terroirs passaram a ser mais bem compreendidos.
O resultado está nas taças.

Ainda assim, muitas pessoas continuam escolhendo vinhos para impressionar os outros e não para agradar o próprio paladar.

Talvez porque seja mais fácil confiar na fama do que desenvolver repertório.

Mas existe uma diferença enorme entre beber vinho e beber rótulo.

Quem bebe rótulo busca aprovação.

Quem bebe vinho busca descoberta.

E é justamente por isso que sempre incentivo as pessoas a provarem coisas novas. Novas uvas.
Novas regiões.
Novos produtores.
Novos estilos.

Nem toda descoberta será um acerto.
Mas toda descoberta amplia repertório.

E o repertório é uma das partes mais fascinantes do vinho.

Porque o paladar não fica parado no tempo.

Ele evolui.

Quanto mais conhecemos, mais percebemos que existe um mundo enorme além das marcas famosas e das garrafas que aparecem nas redes sociais.

No fim das contas, um bom vinho não é aquele que custa mais.

É aquele que entrega mais do que promete quando a garrafa é aberta.

📷 Imagens: Crédito Adelaide Machado