Levantamento técnico identificou 352 árvores distribuídas em 59 espécies. Muitas delas possuem idade estimada superior a 50 anos e transformam o condomínio em um importante patrimônio ambiental da Região Noroeste da capital.
Mais de 350 árvores catalogadas, muitas delas com idade estimada superior a 50 anos, fazem do Condomínio do Conjunto Habitacional Santos Dumont um dos principais patrimônios ambientais residenciais da Região Noroeste de Belo Horizonte. O dado faz parte do Relatório Técnico de Caracterização da Vegetação, elaborado em 2023, durante a gestão do então síndico Fábio Brandão, que identificou 352 árvores distribuídas em 59 espécies pertencentes a 32 famílias botânicas.
Entregue em 1971, o condomínio é formado por 45 edificações, incluindo quatro torres, e cresceu acompanhado por uma arborização que hoje é uma de suas principais marcas. Ao longo de mais de cinco décadas, as árvores se desenvolveram junto com o conjunto habitacional, proporcionando sombra, conforto térmico, melhoria da qualidade do ar e uma paisagem que se destaca em meio ao cenário urbano.
O levantamento também aponta que a sibipiruna é a espécie predominante, seguida pela areca-bambu, resedá e palmeira-imperial, compondo uma vegetação diversificada que contribui para um microclima mais agradável dentro do condomínio.
Frutos que preservam a biodiversidade
Outro diferencial do Santos Dumont é a presença de árvores frutíferas. Cerca de 42% da arborização é composta por espécies como manga, laranja, jabuticaba, pitanga, acerola, goiaba, amora, limão, café e abacate. Além de embelezarem a paisagem, essas árvores fornecem alimento para diferentes espécies da fauna urbana.
Durante o trabalho de campo, os pesquisadores registraram a presença do periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus), alimentando-se das árvores frutíferas do condomínio, evidenciando a importância da área verde para a conservação da biodiversidade em plena Região Noroeste de Belo Horizonte.

Para a síndica Ivone Beatriz da Rocha Figueiredo, preservar essa arborização é preservar parte da identidade do condomínio.
“Sentimo-nos privilegiados por viver em um lugar onde o verde faz parte da nossa rotina. Além da beleza, essa vegetação proporciona conforto, bem-estar e qualidade de vida para os moradores e também para quem vive no entorno do condomínio.”
Quem acompanhou boa parte dessa transformação foi Wanderley da Silva, que morou no Conjunto Santos Dumont por 53 anos e atualmente atua como supervisor geral das equipes de manutenção e serviços.
“Vi muitas dessas árvores crescerem junto com o condomínio. Algumas eram pequenas quando eu era morador e hoje oferecem sombra, frutos e deixam o ambiente muito mais bonito. Essas árvores fazem parte da história de milhares de famílias.”
Um Patrimônio para o futuro
Para o advogado Fábio Brandão, ex-síndico do condomínio, o levantamento técnico consolidou aquilo que os moradores já percebiam no dia a dia.
“O estudo confirmou a riqueza da nossa arborização e deixou um importante instrumento para orientar sua preservação. É um patrimônio que precisa continuar sendo valorizado pelas futuras gerações.”
Em uma época marcada pelas discussões sobre mudanças climáticas e qualidade de vida nas cidades, o Conjunto Habitacional Santos Dumont demonstra que urbanização e preservação ambiental podem caminhar juntas. Suas árvores, muitas delas com mais de meio século de existência, continuam oferecendo sombra, frutos e abrigo para a fauna, consolidando o condomínio como um exemplo de convivência harmoniosa entre natureza e cidade.
📷 Capa – Crédito: Ramon Calixto












































