O uso de smartphones e redes sociais faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes. No entanto, o que muitos consideram uma simples distração, o psicólogo e hipnoterapeuta Thiago de Paula define como um “catalisador de vulnerabilidades psicológicas”. Uma recente pesquisa publicada no Journal of Human Development and Capabilities reforça essa preocupação, associando o uso de celulares por menores de 13 anos a pensamentos suicidas, baixa autoestima e uma menor capacidade de lidar com as emoções, especialmente em meninas.
Thiago de Paula compara o uso precoce e excessivo da tecnologia a “dar um carro superpotente para uma criança de 5 anos dirigir”. A colisão é inevitável, mas, nesse caso, “é com a saúde mental dessas crianças e adolescentes”.
Impactos Imediatos e de Longo Prazo
Os efeitos do uso excessivo de telas podem ser sentidos imediatamente, como a privação de sono. A luz das telas e a constante necessidade de checar novas curtidas e comentários roubam horas preciosas do sono, que é essencial para o reparo do cérebro. O psicólogo ressalta que o sono REM, fundamental para o processamento de memórias, é o mais afetado. Com o tempo, o acúmulo de toxinas no cérebro pode até aumentar a predisposição a doenças como o Alzheimer no futuro.
Além disso, a constante busca por estímulos e a exposição a “vidas perfeitas” nas redes sociais levam ao aumento da ansiedade e irritabilidade, além de uma dificuldade de concentração. A necessidade de gratificação instantânea prejudica a capacidade de focar em tarefas mais longas e menos “brilhantes”.
A nível social, o uso excessivo de telas pode levar ao isolamento. “As redes sociais eliminam barreiras geográficas, mas crianças e jovens podem se sentir ainda mais sozinhos, substituindo as interações reais e profundas por trocas superficiais no mundo virtual”, explica o profissional.
A longo prazo, as consequências são ainda mais preocupantes, incluindo a piora da autoestima e a distorção da imagem corporal. A exposição a padrões de beleza inatingíveis, muitas vezes alterados por filtros, pode levar a pensamentos negativos e uma “garantia de frustração eterna” na vida adulta. Além disso, a dependência do ambiente digital impede o desenvolvimento de habilidades essenciais para lidar com conflitos interpessoais no mundo real.
Tecnologia: Ferramenta ou Vilã?
Thiago de Paula enfatiza que a tecnologia não é o problema, mas a forma como ela é utilizada. “É como uma faca, que pode cortar o pão para o café da manhã ou causar um ferimento grave. A culpa não é da faca, mas de quem a utiliza”, afirma.
O papel da família é crucial nesse processo. O psicólogo recomenda:
- Conversar abertamente com as crianças sobre os riscos e benefícios do ambiente digital.
- Estabelecer limites claros e regras de uso para toda a família.
- Priorizar o mundo real, incentivando hobbies, esportes e brincadeiras off-line.
- Desenvolver habilidades de regulação emocional, ensinando as crianças a identificar e lidar com seus sentimentos sem o auxílio de telas.
- Promover o senso crítico digital, ensinando-os a questionar o que veem online.
Ele também defende a responsabilização das empresas de tecnologia e a implementação de políticas públicas que abordem o problema de forma mais ampla. O objetivo é formar uma geração de cidadãos digitais conscientes e saudáveis, capazes de usar a tecnologia a seu favor, sem se tornarem reféns dela.
Crédito: Pixabay












































