Em Belo Horizonte, a mais autêntica volta ao mundo acontece pelo paladar. Em um roteiro que conecta culturas, chefs da capital mineira utilizam temperos como selos de origem, transformando cada prato em um verdadeiro destino. Da robustez da cozinha alemã à elegância da francesa, passando pela tradição portuguesa, a alma italiana, os perfumes do Líbano e da Argélia — sempre partindo da inconfundível culinária mineira — provam que não há fronteiras para o sabor.

Dona Lucinha: O Primeiro Ingrediente da Panela
O ponto de partida dessa jornada é Minas Gerais. Fundado em 1990, o tradicional Dona Lucinha é um ícone da preservação dos sabores e da cultura alimentar mineira. Márcia Nunes, filha da fundadora, conta que a alma do tempero nasce no pilão, macerando alho com sal — a base para o famoso “tempero verde” e o “tempero branco”.
Além dos ingredientes, a técnica é essencial: dourar os temperos antes de acrescentar urucum ou açafrão-da-terra garante aroma e cor únicos. A cachaça, usada para “aliviar as mágoas” das carnes, é mais que tradição: é ciência e afeto. “O primeiro ingrediente que se põe na panela é sempre o amor”, lembra Márcia.

Tip Top: A Alemanha dos Equilíbrios
Do coração de BH para a Europa Central, o Tip Top, em atividade desde 1929, mostra que a cozinha alemã é muito mais que salsichas e cerveja. O chef Leandro Robert destaca a busca por equilíbrio: para cada elemento rico, um contraponto ácido. Mostarda, zimbro, cominho, noz-moscada e páprica marcam presença em pratos como o Goulash com Spätzle e o Kassler do Kaiser.

Rex Bibendi: Uma Travessia pela Europa Vinícola
Sob o comando da chef Jana Barrozo, o Rex Bibendi celebra França, Itália e Portugal com receitas tradicionais e harmonizações pensadas para a temporada de vinhos. Ervas como tomilho, alecrim, sálvia, manjericão e coentro dão personalidade a pratos como o boeuf bourguignon e massas artesanais, explorando as nuances de cada região.

Terraço Niê: Sabores no Traço de Niemeyer
No topo de um prédio icônico de Oscar Niemeyer, o Terraço Niê cria um cardápio que homenageia destinos marcados pela obra do arquiteto. Argélia e Líbano entram em cena com especiarias como za’atar, ras el hanout, cominho, canela e hortelã. A pastilla de costela, finalizada com mel de tâmaras e raspas de limão siciliano, é um dos destaques, equilibrando doçura e acidez.
Serviço
Dona Lucinha – Rua Padre Odorico, 38 – São Pedro – BH | @donalucinhamatriz
Tip Top desde 1929 – R. Paraíba, 811 – Savassi – BH | @tiptopdesde1929
Rex Bibendi – R. Antônio de Albuquerque, 917 – Funcionários – BH | @orexbibendi
Terraço Niê – Rua Rio de Janeiro, 471 – Centro – BH | @terraco.nie
Capa: Crédito: Freepik
Imagens:
Dona Lucinha – Feijão Tropeiro – Crédito: Fernanda Neves
Tip Top – Goulash com Spätzle – Crédito: Victor Shwaner
Rex Bibendi – Arroz de Pato – Crédito: Bia-Braz
Terraço Niê – Pastilla de Costela de Boi – Divulgação












































