A transmissão do saber é um dos maiores patrimônios da humanidade, porque permite que tradições, técnicas e ofícios não se percam no tempo, mas se renovem a cada geração. Reconhecer esses saberes, e aqueles que os detêm, é reconhecer a própria história e assegurar que ela continue viva no presente e no futuro.
Minas Gerais é um dos territórios geológicos mais ricos do mundo, com a maior concentração de gemas preciosas e metais nobres já catalogada. É também aqui que está a joalheria mais antiga do Brasil em funcionamento contínuo, desde 1888, em Diamantina, responsável por desenvolver técnicas exclusivas, que só existem em Minas.
Temos memória coletiva, inventividade e a capacidade de transformar o que vem da terra em cultura, dialogando com a contemporaneidade sem perder a tradição.
Joias que Contam a História e Preservam a Identidade Mineira
Um exemplo vivo dessa tradição é a Joalheria Pádua, de Diamantina. Fundada em 1888, é considerada a joalheria mais antiga em funcionamento contínuo do Brasil. Ao longo de gerações, preserva técnicas únicas, como o uso do coco aliado ao ouro, que traduzem a inventividade mineira e a capacidade de transformar elementos da natureza em cultura e identidade.
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais tramita o Projeto de Lei n° 1.683/2023, que reconhece como de relevante interesse cultural do Estado a fabricação de joias de coco e ouro produzidas no município de Diamantina. A proposta foi apresentada por Giovanna Penido e acolhida pelo presidente da Comissão de Cultura, deputado Professor Cleiton, reforçando o valor da joalheria tradicional mineira e a necessidade de garantir sua preservação como patrimônio.

A identidade de Minas Gerais é sobre joalheria. Compartilhar conhecimento é preservar. É assumir que nossos saberes não são menores, nem precisam ser traduzidos em outra língua para terem valor.
Precisamos parar de buscar legitimidade fora e reconhecer o que sempre esteve aqui: a força criadora, resiliente e singular de Minas, que nos coloca entre os grandes centros de cultura e criação do mundo.
A Bvlgari foi aberta em 1884, e essa escola irá ser uma guardiã de um conhecimento, é agora celebrada como símbolo de tradição italiana. Mas é preciso cuidado: nesse discurso, fala-se em “savoir-faire”, reforçando a ideia de que o conhecimento legítimo está sempre além das nossas fronteiras.
Esse “soft power” contínuo, muitas vezes nos faz acreditar que o nosso saber é apenas artesanato ou folclore.
Vamos valorizar o que é nosso! Em Minas Gerais, a valorização da joalheria ganha força com a presença de talentos e instituições de ensino. A UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), por exemplo, oferece cursos na área, formando novos profissionais.
Capa: Bvlgari – Divulgação












































