Em uma visita promovida para jornalistas e integrantes da FEBTUR-MG, o casarão de 1929 revelou muito mais do que sua beleza arquitetônica: abriu suas portas para uma experiência que aproxima patrimônio, história, arte e gastronomia
Algumas casas guardam histórias. A Casa Rosada parece ter guardado uma cidade inteira.
Nossa visita aconteceu na segunda-feira, 21 de setembro, em um encontro que reuniu jornalistas e integrantes da FEBTUR-MG. Fomos recebidos pelo presidente do Minas Tênis Clube, Carlos Henrique Martins Teixeira, que fez questão de conversar com o grupo e destacar a importância de manter aquele patrimônio aberto à população.
Projetada pelo arquiteto Luiz Signorelli em 1929, a Casa Rosada é um exemplar remanescente da primeira fase de ocupação da Rua da Bahia. De arquitetura eclética, com influência neoclássica, o casarão foi tombado em 2002 pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte e integra o Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências.
Restaurada entre 2018 e 2020, a casa ganhou uma nova função sem perder aquilo que lhe confere identidade: sua arquitetura, seus detalhes e a memória que carrega. Em 2023, a Prefeitura de Belo Horizonte formalizou a cessão do imóvel ao Minas Tênis Clube pelo período de 20 anos, com a finalidade de implantação de um espaço cultural.
E é justamente aí que está um dos méritos do projeto: preservar a história sem transformar o patrimônio em algo distante da cidade.
A Casa Rosada continua sendo testemunha de uma Belo Horizonte de outros tempos, mas agora também é lugar de encontro, descoberta e novas experiências.


Uma cidade antes da cidade
É dentro desse diálogo entre passado e presente que está a exposição de longa duração “Habitar o /in/visível – Coabitar a cidade”, com curadoria de Marconi Drummond e Maurício Meirelles.
Quem chega esperando apenas uma exposição sobre a história de Belo Horizonte encontra uma proposta bem mais provocadora.
A mostra propõe uma viagem que começa muito antes da fundação da capital. Em vez de partir simplesmente de 1897, ela olha para o território que hoje conhecemos como Belo Horizonte e pergunta: o que havia aqui antes da cidade?


A narrativa passa por registros de povos caçadores e coletores que habitaram a região há milhares de anos, pelo antigo Curral Del Rey, pela construção da nova capital e pelas transformações urbanas, sociais e culturais que moldaram Belo Horizonte.
Dividida em sete núcleos — Origens, Ancestralidade, O Arraial, A Nova Capital, Uma Rua no Tempo, Construtores: arquitetos e operários e Habitar, Coabitar —, a exposição reúne diferentes tempos, personagens e maneiras de olhar para Belo Horizonte.
A exposição não se limita a contar como Belo Horizonte nasceu. Ela provoca o visitante a pensar sobre quem ocupou esse território, quem ajudou a construir a cidade e quais histórias acabaram ficando fora dos relatos mais conhecidos.
É uma exposição que pede tempo. E talvez esse seja justamente o seu luxo.


Quando a cultura deixa de ser privilégio
Recebidos pelo presidente do Minas Tênis Clube, Carlos Henrique Martins Teixeira, o grupo ouviu do dirigente sobre a importância de manter a Casa Rosada aberta à população e sobre o papel da instituição na preservação do patrimônio histórico e na democratização do acesso à cultura.
O Minas Tênis Clube trabalha a partir de quatro pilares — Esportes, Educação, Lazer e Cultura — e a Casa Rosada passa a integrar esse conjunto de equipamentos culturais que o Clube disponibiliza ao público. Entre eles estão o Centro Cultural Unimed-BH Minas, a Galeria de Arte do Minas II e o Coral do Minas.
A proposta é fazer da cultura um espaço de encontro — acessível, vivo e aberto à cidade.
A própria abertura da Casa Rosada ao público segue essa proposta. A visitação é gratuita, e o espaço se tornou mais um ponto de acesso à arte, à história e ao patrimônio de Belo Horizonte.

Durante nossa visita, acompanhados pelos orientadores Carolina, Ebany e Gabriel, foi possível perceber que a casa não funciona apenas como cenário para a exposição. Ela própria faz parte da narrativa.
Como resumiu o curador Maurício Meirelles, a casa é, ao mesmo tempo, continente e conteúdo da exposição.
E Minas também se conta à mesa
Se a memória entra pela arquitetura e a história ganha corpo na exposição, a gastronomia aparece como outro caminho para experimentar Minas.
Nos fundos do casarão está a Cozinha Gasmig Minas por Afeto, espaço gastronômico que dialoga diretamente com a proposta da Casa Rosada.
O menu, assinado por Maria Luiza Alves e Pedro Cunha, aposta na chamada culinária mineira afetiva, com clássicos que remetem à cozinha de casa, além de cafés especiais, pães artesanais e produtos Afeto. O ambiente foi pensado a partir da ideia dos tradicionais quintais das casas de família — lugares de conversa, acolhimento e, claro, comida.
E aí entra uma coisa da qual Minas nunca foge: a mesa.
Ali, a gastronomia não está por acaso. Ela amplia a experiência da Casa Rosada e aproxima o visitante de uma Minas que também se reconhece nos sabores, nos encontros e na memória afetiva da cozinha.


Uma casa que voltou a conversar com a cidade
Há algo especialmente bonito na trajetória da Casa Rosada.
Construída em 1929, a Casa Rosada atravessou décadas de transformações na cidade e viu a própria Rua da Bahia mudar ao seu redor. Quase um século depois, continua recebendo gente — agora para conhecer, conversar, descobrir e viver cultura.
A casa que um dia pertenceu à vida privada agora pertence, de certa maneira, à memória coletiva.
E talvez essa seja a melhor maneira de preservar um patrimônio: não apenas protegê-lo do tempo, mas permitir que ele continue fazendo parte da vida da cidade.



Para quem vive Belo Horizonte, para quem gosta de arquitetura, história, arte, gastronomia ou simplesmente tem curiosidade de descobrir uma cidade por outros ângulos, a Casa Rosada merece uma visita.
Vale entrar sem pressa. Olhar a casa, percorrer a exposição, descobrir as histórias e, se der vontade, sentar à mesa. Porque conhecer Belo Horizonte também pode ser isso: perceber que uma cidade que a gente pensa conhecer ainda guarda muito para contar.


SERVIÇO

Casa Rosada Gasmig Minas
Rua da Bahia, 2.425 – Lourdes – Belo Horizonte
Exposição: Habitar o /in/visível – Coabitar a cidade
Curadoria: Marconi Drummond e Maurício Meirelles
Visitação:
Terça-feira a sábado, das 12h às 19h
Domingos e feriados, das 12h às 18h
Entrada gratuita.
Cozinha Gasmig Minas por Afeto
Terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Sábado e domingo, das 8h às 13h
Para visitas mediadas de grupos de até 30 pessoas: atendimento.casarosada@minastc.com.br.
Crédito: Edy Fernandes
📷 Capa – Divulgação












































