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COQUETELARIA AUTORAL – QUANDO O DRINK NÃO É MAIS UM ACESSÓRIO, MAS O PROTAGONISTA DA EXPERIÊNCIA

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Se antes o vinho detinha o prestígio absoluto nos restaurantes, hoje o balcão do bar assume um espaço equivalente. Cartas autorais expressam identidade, técnica e narrativa, criando um diálogo coeso com a gastronomia.

A cena gastronômica contemporânea redefine o papel da bebida. A coquetelaria deixou de ser um complemento para se tornar um elemento central na experiência do cliente. Os drinks de autor, com técnicas apuradas e narrativas próprias, buscam uma harmonia sofisticada que une o bar e a cozinha em uma só linguagem. Em Belo Horizonte, estabelecimentos como Tom, Casa Azeite e Gabo exemplificam essa tendência.

No Tom: Coesão e Sustentabilidade no Copo

Para Túlio D’Angelo, do Tom, a coquetelaria não apenas expande possibilidades de sabor, mas também atrai públicos distintos. A carta de drinks foi concebida paralelamente ao cardápio, buscando uma experiência coesa em paladar e propósito.

Tulio D’angelo – Crédito: Magê Monteiro

Na casa, a sustentabilidade é parte da equação. O Vertigem, por exemplo, é um drink que usa flores de alfavaquinha que seriam descartadas e uma cachaça tratada com fatwash (técnica de lavagem) usando a banha que é subproduto de preparos da cozinha.

Ainda assim, o símbolo da casa é o Altiplano: uma criação simples, vibrante e essencialmente brasileira, feita com tequila, acerola fresca e borda de flor de sal com páprica defumada.

Na Casa Azeite: A Vitória do Autoral sobre o Clássico

Na Casa Azeite, a coquetelaria se conecta com a memória afetiva e a identidade local. Iolanda percebeu uma clara mudança no comportamento dos clientes:

“Imaginava que os clássicos teriam mais saída, mas os autorais são os mais pedidos.”

Iolanda Vila Nova e Silva – Crédito: Victor Schwaner

A carta da Casa Azeite é dividida em cinco clássicos, cinco autorais e um menu de degustação. Muitos dos drinks nasceram de situações e memórias pessoais. Um dos que melhor traduz o espírito do local é o Guimarães Rosa, uma releitura do coquetel Fitzgerald que substitui o limão-siciliano pelo limão-capeta e troca o escritor inglês por um mineiro – uma demonstração de criatividade com forte identidade local.

No Gabo: Estética e Vibração Latina

No Gabo, o protagonismo do bar está na estética e na energia latina. A coquetelaria aliada à cozinha cria perfis que se complementam, mesmo sem a pretensão de uma harmonização rigorosa.

Para Guilherme, o coquetel que define a casa é o Picante de la Casa. À base de tequila com limão, pimenta dedo-de-moça e coentro, o drink é herbal, picante, defumado e surpreendentemente refrescante, sustentando a vibração de intensidade e cor que é marca do Gabo.

Gabo – Divulgação – Crédito: Magê Monteiro

A carta é organizada de forma prática em três estruturas – picantes, frutados e clássicos – garantindo diversidade sem perder a coerência. A coquetelaria do Gabo não pede licença para existir ao lado da cozinha; ela é intensa, colorida e parte inseparável da experiência.

📸 Capa: Tom – Crédito: Magê Monteiro