Uma nova era de corantes naturais acaba de ganhar força no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oficialmente o uso do corante azul extraído do jenipapo, fruta nativa da América do Sul. A autorização marca um avanço significativo na busca por ingredientes mais naturais e sustentáveis na indústria alimentícia, ao mesmo tempo em que abre caminho para inovações sensoriais e visuais no mercado.
A liberação nacional acompanha movimentos internacionais. No último mês, o corante também foi regulamentado para uso em toda a região do Mercosul – incluindo Argentina, Paraguai e Uruguai – além de países associados. Ainda no início deste ano, o Codex Alimentarius, referência mundial em normas alimentares, reconheceu o ingrediente. Já o FDA, agência americana equivalente à Anvisa, autorizou seu uso nos Estados Unidos desde dezembro de 2023.
Uma resposta à antiga demanda por azul natural
Historicamente, a obtenção da cor azul a partir de fontes naturais sempre foi um desafio para a indústria. A chegada do novo corante, já disponível comercialmente na versão Jungle Blue, da Oterra – maior produtora global de corantes naturais – representa uma solução inédita, com alta performance e estabilidade.
Segundo a empresa, o pigmento oferece tons vibrantes, resistência à luz, variações de temperatura e pH, além de excelente solubilidade em água. Esses atributos tornam o Jungle Blue uma alternativa segura e eficaz ao uso de corantes sintéticos, especialmente em produtos que exigem longa durabilidade e apelo visual.
Onde o corante poderá ser utilizado?

A regulamentação brasileira permite a aplicação do corante em uma ampla variedade de categorias, como:
- Aperitivos e snacks à base de batatas e cereais
- Balas, gomas, gelatinas e caramelos
- Biscoitos, bolos, tortas, recheios e massas de confeitaria
- Sorvetes, doces, chocolates, bombons e confeitos
- Iogurtes, bebidas lácteas e não lácteas
- Cereais matinais e sobremesas prontas
- Preparações culinárias industriais, congeladas ou não
- Coberturas, caldas e condimentos preparados
Além disso, o pigmento pode ser misturado com outros corantes naturais para criar tons de verde, violeta e marrom, expandindo ainda mais as possibilidades de formulação de produtos com apelo visual sofisticado e mais saudável.
Tendência global chega ao Brasil
De acordo com Stella Munhoz, gerente global de Marketing da Oterra, o uso do tom azul natural vem ganhando força nos principais mercados internacionais, especialmente na América do Norte, Europa e Ásia. “O volume de lançamentos de produtos com coloração azul tem crescido de forma consistente nos últimos cinco anos, com predominância no setor de confeitos”, explica.
Segundo ela, o Brasil e a América Latina ainda dão os primeiros passos nesse movimento, mas a aprovação da Anvisa deve acelerar a adesão da indústria local. “A inclusão do Jungle Blue na nossa gama de produtos reforça o compromisso com soluções seguras e inovadoras, ao mesmo tempo em que oferece aos consumidores experiências sensoriais únicas e alinhadas à demanda por transparência e naturalidade nos rótulos”, afirma.
A aprovação do corante azul natural não é apenas uma conquista regulatória: é um marco para a indústria brasileira e para consumidores que buscam mais cor, mais natureza e menos aditivos artificiais em sua alimentação.












































