Junho chega trazendo temperaturas mais baixas. Mas alguns dos frios que mais doem não têm relação com o clima.
Junho chegou.
As temperaturas começam a cair, os casacos saem dos armários e, naturalmente, as pessoas procuram formas de se aquecer.
Um café mais quente, uma manta sobre o sofá, um banho demorado ao final do dia.
É curioso como, diante do frio, nosso primeiro impulso é buscar conforto.
Mas existe um tipo de frio que não se resolve com cobertores, bebidas quentes ou dias ensolarados.
É o frio que se instala silenciosamente dentro de nós.
O frio de quem aprendeu a seguir em frente sem perceber o quanto está cansado.
O frio de quem se acostumou a funcionar no automático.
O frio de quem cuida de tudo e de todos, mas há muito tempo não encontra espaço para acolher a si mesmo.
Talvez por isso algumas pessoas se sintam tão cansadas, mesmo quando aparentemente está tudo bem.
Não porque lhes falte força.
Mas porque força demais, por muito tempo, também esgota.
Vivemos em uma cultura que valoriza produtividade, resultados e movimento constante. Aprendemos a resolver, responder, produzir e sustentar.
Mas raramente aprendemos a parar.
Raramente aprendemos a escutar aquilo que sentimos quando o barulho da rotina finalmente silencia.
E é nesse silêncio que muitos percebem algo desconfortável.
A sensação de estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se sozinho.
A sensação de cumprir todas as responsabilidades e, mesmo assim, experimentar um vazio difícil de explicar.
A sensação de perceber que a vida continua acontecendo, mas que alguma parte de si ficou para trás no caminho.
Ao longo dos últimos textos, trouxe reflexões sobre limites, dependência emocional, necessidade de aprovação, excesso de funcionalidade e sobre o risco de nos abandonarmos enquanto tentamos sustentar tudo ao nosso redor.
E talvez todos esses temas se encontrem exatamente aqui.
Na necessidade de voltar para si.
Porque nem sempre o que está faltando é alguém.
Às vezes, o que está faltando é presença.
Presença consigo mesmo.
Presença para perceber o próprio cansaço.
Presença para reconhecer necessidades que foram ignoradas durante muito tempo.
Presença para oferecer a si o mesmo acolhimento que tantas vezes é oferecido aos outros.
Talvez a chegada de junho seja também um convite.
Não apenas para aquecer as mãos.
Mas para aquecer aquilo que, há muito tempo, vem sendo deixado de lado dentro de você.
Porque algumas estações passam sozinhas.
Outras nos convidam a olhar para dentro.
E, às vezes, o maior ato de cuidado não é encontrar alguém que nos aqueça.
É aprender a não nos abandonar quando os dias ficam frios.
Isso não é sobre o outro. É sobre você.
📷 Capa: Crédito: Simon Follin / Unsplash












































