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NOVA NR-1 – ESTRESSE E SOBRECARGA NO TRABALHO ENTRAM NA PAUTA ESTRATÉGICA E DOCUMENTAL DAS EMPRESAS

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Especialistas reunidos em Belo Horizonte discutem os impactos práticos da atualização da norma, que exige a identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente corporativo.

Vamos ser sinceros: falar sobre normas regulamentadoras, burocracia trabalhista e siglas jurídicas não é exatamente o assunto mais fascinante ou glamouroso do dia. No entanto, em um mercado corporativo que preza cada vez mais pela governança e pelo bem-estar real, essa é uma discussão absolutamente vital. A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) acendeu o alerta nas grandes empresas ao exigir, de forma inédita, a identificação e o mapeamento documental de riscos psicossociais, como o estresse e a sobrecarga de trabalho. O impacto prático dessa mudança para o empresariado mineiro foi o grande norte do evento “Nova NR-1: Riscos Psicossociais, GRO e Segurança Jurídica”, realizado no dia 2 de julho, em Belo Horizonte.

Longe de ser apenas mais um cumprimento burocrático, a mudança toca diretamente no pilar de sustentabilidade humana e governança (ESG) das organizações que ditam as tendências de mercado. Promovido pelo renomado escritório Corrêa Ferreira Advogados (Cfa) em parceria com a Ecolabore Engenharia, o encontro reuniu grandes referências do direito trabalhista, da medicina ocupacional e da segurança do trabalho exatamente para decifrar como transformar essa nova obrigação legal em uma ferramenta prática de gestão corporativa e segurança jurídica.

O encontro, promovido pelo renomado escritório Corrêa Ferreira Advogados (Cfa) em parceria com a Ecolabore Engenharia, reuniu grandes referências do direito trabalhista, da medicina ocupacional e da segurança do trabalho para decifrar os efeitos práticos da norma sobre a gestão empresarial moderna.

Uma Engrenagem Coletiva: O Fim do Isolamento do RH

Durante os debates, a advogada trabalhista Bruna Magalhães, do Cfa, enfatizou que a responsabilidade pela saúde mental e mitigação de riscos psicossociais não pode mais ficar restrita a um único departamento.

“A empresa não anda só com o RH. A empresa não anda só com o técnico. A empresa não roda só com o gestor. Inclusive, ela só roda se o trabalhador estiver lá”, pontuou Bruna, comparando a estrutura corporativa a uma engrenagem onde o engajamento intersetorial é a chave para antecipar problemas antes que eles se concretizem.

Bruna Magalhães (Advogada Trabalhista no CFA)

A especialista detalhou o rigoroso fluxo documental exigido pela nova legislação. O ponto de partida é a Análise Ergonômica Preliminar (AEP) que, caso aponte a necessidade de um diagnóstico mais profundo, gera a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Para alimentar esses relatórios, as empresas podem adotar desde questionários estruturados até entrevistas e conversas diretas, contanto que o critério metodológico seja claramente descrito.

Toda essa inteligência de dados deve ser obrigatoriamente integrada ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), classificado pela advogada como o “programa-mãe” da segurança jurídica e da saúde corporativa. Outro alerta crucial foi a necessidade de estabelecer prazos rígidos nos cronogramas de ação: “Se não houver prazo, muitas empresas entendem que podem fazer isso a qualquer momento e acabam não fazendo”, advertiu Magalhães.

Da esquerda p/ direita: Keity Carvalho (Líder de SST na Ecolabore) – André Miliano (Diretor Comercial da Ecolabore), – Bruna Magalhães (Advogada Trabalhista no Cfa) e Paulo Ayres (Médico e Gerente de Saúde Ocupacional na Gerdau).

Saúde Mental Sem Sazonalidade

O caráter contínuo do cuidado com o colaborador também foi um dos pilares do evento. Keity Carvalho, líder de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) na Ecolabore, chamou a atenção para o fato de que a discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho deve se distanciar de ações puramente sazonais. Segundo a especialista, o tema exige estratégias perenes e consistentes ao longo de todo o ano, superando a barreira de campanhas pontuais como o Janeiro Branco.

Os Seis Pilares do Mapeamento de Risco

Para orientar as empresas na implementação prática dessa nova cultura documental, o médico Paulo Ayres, gerente corporativo de saúde ocupacional da Gerdau, apresentou uma matriz técnica de classificação. Segundo ele, os riscos psicossociais devem ser mapeados a partir de seis categorias fundamentais:

  • Controle
  • Autonomia
  • Sobrecarga
  • Relações de trabalho
  • Comunicação e clareza de responsabilidades
  • Apoio

De acordo com Ayres, organizar o mapeamento sob essas premissas impede a produção de documentações desconexas. “Isso evita que a gente saia colocando tudo em ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) ou em PGR e, muitas vezes, produza prova contra nós mesmos”, explicou o médico, defendendo que o uso de indicadores mensuráveis é o caminho mais seguro para monitorar a evolução do ambiente corporativo e garantir a sustentabilidade do negócio.

Com a ampliação do escopo da fiscalização trabalhista para além dos riscos físicos tradicionais, a adequação à nova NR-1 consolida-se não apenas como um cumprimento legal, mas como um verdadeiro selo de sofisticação e responsabilidade na gestão de pessoas em Minas Gerais.

📷 Capa: Da esquerda p/ direita: Felipe Vieira (Relações Trabalhistas na Stellantis Automóveis do Brasil Ltda) – Helen Cirani (Labor Relations Specialist na Stellantis Automóveis do Brasil Ltda) – Fernanda Goulart (Especialista em Relações Trabalhistas na Stellantis Automóveis do Brasil Ltda) – Raquel Lacerda (Advogada Trabalhista no CFA) – Bruna Magalhães (Advogada Trabalhista no CFA) – Helda Alves (Sócia e coordenadora da área Trabalhista no CFA)