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PATRIMÔNIO RECUPERADO – FAOP DEVOLVE 11 IMAGENS SACRAS RESTAURANTES À COMUNIDADE DE SÃO BARTOLOMEU

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Entre as peças do século XVIII devolvidas nesta terça-feira (23/6) está uma imagem de Nossa Senhora do Carmo atribuída à fase inicial de Aleijadinho.

Em um marco para a preservação da história e da fé em Minas Gerais, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) entregou, nesta terça-feira (23/6), um conjunto de 11 imagens sacras totalmente restauradas pertencentes à Igreja de São Bartolomeu. A cerimônia de entrega ocorreu na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em Cachoeira do Campo, e celebra o retorno de peças fundamentais de um dos templos religiosos mais antigos do estado.

O grande destaque do conjunto é a imagem de Nossa Senhora do Carmo, datada do século XVIII e atribuída ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Segundo especialistas, a escultura traz traços característicos da fase inicial do maior expoente do Barroco e do Rococó no Brasil.

Tesouros do século XVIII e relevância histórica

A devolução das peças representa uma etapa crucial no processo de revitalização da Igreja de São Bartolomeu, que passa por obras estruturais de restauração desde 2024. Com o restauro concluído, as imagens retornarão aos seus retábulos (estruturas de madeira ou pedra que emolduram o altar), reconhecidos como alguns dos exemplares mais antigos da talha no Estilo Nacional Português em Minas Gerais.

Além da obra atribuída a Aleijadinho, o lote restaurado inclui esculturas de grande valor devocional e artístico:

  • São João Nepomuceno
  • Santa Efigênia
  • Sant’Ana
  • Nossa Senhora do Pilar
  • São Benedito
  • Nossa Senhora do Rosário
  • Crucificado
  • Divino Espírito Santo

Valor Documental: Algumas das esculturas recuperadas, como as imagens de Nossa Senhora do Rosário, do Divino Espírito Santo e de Nossa Senhora das Candeias (esta última já entregue à Arquidiocese), possuem registro no livro Santuário Mariano, escrito pelo frei Agostinho de Santa Maria — uma das mais importantes compilações históricas sobre a devoção mariana no mundo português.

Identidade, memória e devoção popular

Para as autoridades envolvidas, o trabalho da Faop devolve à comunidade muito mais do que objetos de arte. O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, ressaltou o impacto emocional e cultural da ação:

“Quando restauramos uma obra sacra, preservamos muito mais do que um bem artístico. Preservamos histórias, afetos, tradições e manifestações de fé que atravessam gerações. A devolução desse conjunto reafirma o compromisso do Governo de Minas com a proteção do patrimônio e a valorização das comunidades.”

Rodrigo Câmara, presidente da Faop, reforçou que a instituição se consolida como referência nacional na conservação de bens culturais, garantindo a transmissão desse legado às futuras gerações. “Estamos contribuindo para a preservação da memória, da identidade e da fé de uma comunidade”, pontuou.

Uma última representação de Nossa Senhora do Rosário segue sob os cuidados minuciosos do Núcleo de Conservação e Restauro da Faop e deve ser devolvida assim que o processo de recuperação for finalizado.