Minas Um Luxo

Aqui, todo mundo vai querer APARECER!

O SILÊNCIO TAMBÉM RESPONDE

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Há respostas que nunca chegam em forma de conselho. Elas aparecem quando o barulho diminui e você finalmente consegue escutar a si mesmo.

Existe um silêncio que incomoda.

Não porque seja vazio.

Mas porque ele nos coloca diante de algo que passamos tempo demais tentando evitar: nós mesmos.

Vivemos em uma sociedade que nos ensinou a preencher todos os espaços.

Se sobra um minuto, pegamos o celular.

Se a casa fica silenciosa, ligamos a televisão.

Se a mente começa a desacelerar, procuramos alguma tarefa para fazer.

Estamos sempre em movimento.

E, muitas vezes, acreditamos que isso acontece porque somos produtivos, comprometidos ou responsáveis.

Mas nem sempre.

Às vezes, o movimento constante é apenas uma maneira de não permanecer onde realmente importa.

Dentro de nós.

Talvez seja por isso que tantas pessoas sintam desconforto quando finalmente encontram um momento de silêncio.

Porque o silêncio não distrai.

Ele revela.

É nele que percebemos o cansaço que vínhamos ignorando.

A tristeza que insistíamos em chamar de “fase”.

A frustração que escondemos atrás de uma rotina cheia.

E aquela sensação difícil de explicar de que estamos vivendo para cumprir tudo o que esperam de nós, menos aquilo que faz sentido para quem realmente somos.

Ao longo das últimas semanas, compartilhei reflexões sobre dependência emocional, necessidade de aprovação, excesso de funcionalidade, autocobrança e sobre a maneira como conversamos conosco.

Pode parecer que cada texto fala de um assunto diferente.

Mas, na verdade, todos eles caminham na mesma direção.

O convite para que você volte a ocupar o lugar mais importante da sua própria vida.

Porque nenhuma mudança verdadeira acontece apenas quando entendemos o comportamento do outro.

Ela começa quando temos coragem de olhar para dentro.

Isso não é sobre o outro. É sobre você.

E talvez seja justamente por isso que o silêncio assuste tanto.

Ele não permite que continuemos fingindo que está tudo bem quando não está.

Ele nos lembra das conversas que adiamos.

Dos limites que não colocamos.

Dos sonhos que deixamos para depois.

E das vezes em que nos abandonamos para continuar correspondendo às expectativas de todos ao redor.

Se você chegou até este ponto da leitura, quero lhe fazer um convite.

Escreva a palavra PRESENÇA no direct do meu Instagram @evanilde.terapeuta

Não porque eu queira saber quantas pessoas leram esta coluna.

Mas porque essa palavra resume aquilo que desejo despertar em cada texto que escrevo.

Quando eu receber essa mensagem, vou saber que, por alguns minutos, você escolheu estar presente para si mesmo.

E isso já é um começo.

Muitas pessoas acreditam que a transformação acontece quando encontram a resposta certa.

Mas a experiência clínica me mostra algo diferente.

As mudanças mais profundas começam quando a pessoa encontra coragem para fazer a pergunta certa.

E, muitas vezes, essa pergunta só aparece quando o silêncio deixa de ser um incômodo e passa a ser um espaço de encontro.

Talvez você não encontre todas as respostas hoje.

Talvez algumas ainda precisem de tempo.

Mas não transforme o barulho em esconderijo.

Permita-se escutar aquilo que sua vida vem tentando lhe dizer há tanto tempo.

Porque o silêncio nunca teve a intenção de machucar.

Ele apenas revela o que já estava aí.

E tudo aquilo que é revelado pode ser acolhido.

Pode ser compreendido.

Pode ser transformado.

No fim, talvez a resposta que você procura não esteja na próxima opinião, no próximo conselho ou na próxima conquista.

Talvez ela esteja esperando, silenciosamente, no único lugar de onde nunca deveria ter saído.

Dentro de você.

📷 Capa: Imagem gerada por IA

Evanilde Almeida Pires

Evanilde Almeida Pires é terapeuta especializada em Reprocessamento Generativo (TRG) e psicanalista, com atuação voltada ao desenvolvimento emocional e à promoção de consciência e responsabilidade sobre a própria história.
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