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SOBREMESAS INUSITADAS CONQUISTAM BELO HORIZONTE COM CRIATIVIDADE E AFETO

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Em Belo Horizonte, a hora da sobremesa tem ganhado novos contornos — e, muitas vezes, uma boa dose de ousadia. Chefs e confeiteiros da capital mineira vêm criando doces que unem referências afetivas, ingredientes locais e apresentações surpreendentes, provando que o último ato de uma refeição pode ser tão memorável quanto a entrada ou o prato principal.

No TOM, no Centro, o Pastel do Centro presta homenagem a um clássico das pastelarias belo-horizontinas: o pastel de banana. A receita mantém a alma popular, mas transforma a forma em um jogo de camadas — massa frita, mousse de banana tostada e creme de chocolate branco caramelizado — lembrando uma espécie de mil-folhas tropical.

Na Cozinha Santo Antônio, a sobremesa Memórias nasceu de um almoço entre amigos e traz uma combinação marcante de figo ramy, Jerez e queijo do reino. É um prato para ser saboreado em goles e garfadas, equilibrando intensidade e delicadeza, entrelaçando lembrança e sofisticação.

Na Casa da Agnes, o protagonismo está no ritual: o Tiramisù é finalizado diante do cliente, com café expresso tirado na hora, creme de mascarpone, biscoitos e cacau. Um gesto simples que transforma o doce em uma experiência envolvente.

Na Polvilha, o destaque é o Bolo de Pão de Queijo Doce, que une duas tradições mineiras em uma receita única. A massa é calibrada com precisão, o queijo escolhido a dedo e o recheio surpreende: doce de leite ou doce de jabuticaba cristalizado, em perfeito equilíbrio entre o salgado e o doce.

Já no restaurante MINÉRA, da CasaCor Minas, a confeiteira Sá Marina cria sobremesas inspiradas nas belas-artes, verdadeiras narrativas em forma de doce. Entre elas: Tropeço, que mistura queijo maturado, creme de canjica tostada e cocada de bagaço de milho; Croissant do Sertão, com chocolate caramelizado, amendoim e café; e Breu, uma esfera de chocolate intenso com castanha de pequi e tangerina. Cada prato é apresentado como uma pequena obra de arte.

Na Albertina, a chef Renata Rocha escolheu o Cannelé de Bordeaux como seu doce favorito: um clássico francês pequeno, com crosta caramelizada e miolo macio, marcado pelo perfume de baunilha e pela combinação entre crocância e cremosidade.

E no Coisa de Vó, o destaque é o Fraisier, releitura de um ícone da confeitaria francesa. A ganache montada de baunilha e a compota de morangos resultam em uma sobremesa leve, de sabor preciso e aparência impecável.

Mais do que um roteiro de sabores, essas criações revelam histórias, gestos e inspirações que transformam a sobremesa em parte essencial da experiência à mesa — em Belo Horizonte, um território fértil para doces que saem do óbvio, mas nunca do coração.

Capa: Crédito: Freepik