Minas Um Luxo

Aqui, todo mundo vai querer APARECER!

VOCÊ NÃO ESTÁ PRESO A ALGUÉM. ESTÁ PRESO AO QUE SENTE

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Quando o vínculo não se rompe, quase nunca é pela pessoa, é pela experiência emocional que ela sustenta em você

Ao longo desses textos, um ponto tem se repetido, ainda que por caminhos diferentes: a dificuldade de sustentar escolhas que, racionalmente, já fazem sentido.

Você entende, percebe, reconhece.

Mas, em algum momento, volta.

E é justamente nesse retorno que surge uma pergunta que precisa ser olhada com mais profundidade:

Se você já sabe que te faz mal, por que ainda permanece?

A resposta mais comum costuma ser direta, e muitas vezes, equivocada.

“Por causa da pessoa.”

Mas não é.

Você não permanece pela pessoa.

Você permanece pelo que sente quando está com ela, e principalmente, pelo que sente quando tenta se afastar.

Existe um vínculo que não se sustenta na lógica.

Ele se constrói na experiência emocional.

Na sensação de pertencimento, na validação, no alívio momentâneo, na expectativa de que, dessa vez, seja diferente.

E é isso que prende.

Porque romper com alguém, muitas vezes, não é o mais difícil.

O mais difícil é abrir mão do que aquela relação representa internamente.

É lidar com o vazio que aparece quando o outro não está.

É sustentar o silêncio, a ausência, a quebra de uma rotina emocional que, mesmo disfuncional, ainda é familiar.

Por isso, tantas pessoas voltam.

Não porque não entendem.

Mas porque ainda não conseguem sustentar o que sentem quando se afastam.

E aqui existe um ponto que precisa ser visto com mais honestidade:

Você não está preso a alguém.

Está preso à forma como aprendeu a se sentir dentro daquela dinâmica.

Pode ser carência.

Pode ser necessidade de aprovação.

Pode ser medo de não ser suficiente fora daquele vínculo.

Pode ser a tentativa de reviver algo que, no fundo, nunca se completou.

Enquanto isso não é compreendido, o movimento se repete.

A pessoa até se afasta, tenta colocar limite, decide por si.

Mas, em algum momento, volta.

Volta não porque quer aquela pessoa de volta.

Mas porque quer interromper o desconforto que a ausência provoca.

E é nesse ponto que a responsabilidade precisa entrar.

Isso não é sobre o outro. É sobre você.

Sobre o quanto você ainda depende emocionalmente do que aquela relação te faz sentir.

Sobre o quanto você ainda não construiu dentro de si o que busca no outro.

Porque quando o vínculo é interno, o rompimento externo deixa de ser impossível.

Ele passa a ser uma consequência.

No fim, não é sobre sair ou ficar.

É sobre entender por que, mesmo sabendo, você ainda não consegue ir.

Evanilde Almeida Pires

Evanilde Almeida Pires é terapeuta especializada em Reprocessamento Generativo (TRG) e psicanalista, com atuação voltada ao desenvolvimento emocional e à promoção de consciência e responsabilidade sobre a própria história.
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