Espetáculo inédito homenageia o Ano JK e resgata a força do feminino no século XVIII. Após o lançamento em solo diamantino, a ópera segue para o Grande Teatro Cemig Palácio das Artes em Belo Horizonte.
A história e a lírica se encontram em um dos cenários mais charmosos do Brasil. Durante o encontro da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, realizado nesta sexta-feira (24), a Fundação Clóvis Salgado (FCS) anunciou um projeto de peso: a ópera inédita “Chica da Silva”.
A produção, que integra as comemorações do Ano JK (em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitscheck), terá sua pré-estreia mundial no dia 12 de setembro de 2026, em Diamantina — o antigo Arraial do Tijuco, berço da protagonista. Logo após, a montagem segue para a capital mineira, com récitas nos dias 19, 21 e 23 de setembro, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.
Um Símbolo de Resistência e Poder
A ópera mergulha no século XVIII para narrar a trajetória de Chica da Silva, uma mulher negra, recém-liberta, que desafiou as rígidas hierarquias coloniais ao se unir ao mais poderoso minerador da região. O libreto explora não apenas a intensa história de amor, mas a hostilidade de uma sociedade que se recusava a aceitar sua ascensão e protagonismo.
Para o presidente da FCS, Yuri Mello Mesquita, realizar esta obra é uma honra e uma necessidade histórica:
“Para entendermos a história do nosso país, precisamos conhecer Minas, Diamantina e a nossa Chica da Silva. O pré-lançamento em Diamantina celebra um dos locais mais importantes da América Portuguesa no século XVIII”, destaca.
O Feminino na Formação de Minas
O anúncio da ópera foi acompanhado por reflexões profundas sobre o papel da mulher na construção mineira. O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, ministrou a palestra “A invenção do feminino: ausência de mulheres e devoção mariana na formação das cidades históricas de Minas Gerais”.

Para Oliveira, a ópera devolve a Chica da Silva sua complexidade humana, indo além do folclore:
“A arte devolve corpo, voz, conflito e complexidade a uma figura que a memória simplificou. A ópera permite que Chica retorne como pergunta viva sobre Minas, obrigando-nos a rever a nossa própria narrativa”, analisa o secretário.
Excelência Artística
A montagem contará com os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado — a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais —, garantindo o rigor técnico e a grandiosidade musical que o tema exige. A produção promete ser um marco cultural, unindo a tradição da ópera europeia à alma brasileira e mineira.
AGENDA LÍRICA 2026
- Pré-estreia em Diamantina: 12 de setembro.
- Récitas em Belo Horizonte: 19, 21 e 23 de setembro.
- Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.
- Realização: Fundação Clóvis Salgado.
📸 Capa: Crédito: Cesar Tropia












































