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DA HORTA AO PRATO – COMO RESTAURANTES DE MINAS REIVENTAM ORA-PRO-NÓBIS, TAIOBA E MARIA-GONDÓ

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PANC e hortaliças tradicionais da cozinha afetiva ganham roupagem autoral nos menus de casas em Belo Horizonte e na Serra do Cipó

Taioba, ora-pro-nóbis, peixinho da horta, azedinha e maria-gondó: mais do que ingredientes das hortas e quintais mineiros, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) e folhosas tradicionais carregam a memória afetiva da culinária de casa e de avó. Hoje, cozinhas de Belo Horizonte e do interior do Estado resgatam esse patrimônio e elevam o status dessas folhas em criações que unem técnica, memória e sofisticação.

Quatro restaurantes mineiros mostram como essas folhas ganham protagonismo nos cardápios contemporâneos:

Cozinha Santo Antônio (Belo Horizonte)

Com uma gastronomia que exalta a brasilidade e a memória, a casa no bairro Santo Antônio trabalha as folhas tanto em pratos fixos quanto nas sugestões do dia. A tradicional couve ganha textura crocante no prato Minha Vida de Menina (posta de bacalhau com angu de milho crioulo, abóbora e feijão preto). A taioba acompanha o barreado cozido por horas a fio, servido com farofa e banana grelhada. Já o peixinho da horta, empanado e frito, surpreende no menu executivo como uma opção leve e crocante para quem não consome carne.

A Casa da Agnes (Belo Horizonte)

No bistrô comandado pela chef Agnes Farkasvolgyi, as folhas rústicas viram entradas e pratos refinados. A taioba serve de invólucro para o recheado charutinho de galinha caipira com vinagrete de cachaça. A ora-pro-nóbis ganha cremosidade em um arroz de bochecha e costelinha defumada finalizado com bacon caramelado — receita de sucesso que brilhou na CasaCor Minas e migrou em definitivo para o menu da casa.

Casca (Belo Horizonte)

Instalado no bairro Carmo, o Casca aposta no aproveitamento integral dos alimentos e no resgate de sabores locais. A maria-gondó — folha de quintal de sabor marcante — vira uma gremolata especial acompanhada de cascas de frutas cítricas picadas, temperando com frescor e acidez o steak do dia.

Casulo (Lapinha da Serra)

Na idílica Lapinha da Serra, em Santana do Riacho, o restaurante Casulo passeia pelos elementos do cerrado mineiro. A ora-pro-nóbis faz companhia ao clássico frango caipira com risoto de pequi. A taioba recheia um omelete de ovos caipiras com mussarela de búfala e presunto maturado. A azedinha, de notas cítricas marcantes, é servida com boursin, tomate, pimenta, caju e rosas em uma das etapas do menu degustação.

Onde encontrar

  • A Casa da Agnes
    • Endereço: Rua Paulo Afonso, 833 – Santo Antônio, Belo Horizonte
    • Funcionamento: Terça a sábado, das 12h às 15h
    • Informações: (31) 98738-7066 | Instagram: @acasadaagnes
  • Cozinha Santo Antônio
    • Endereço: Rua São Domingos do Prata, 453 – Santo Antônio, Belo Horizonte
    • Funcionamento: Terça a sexta, das 12h às 15h; Quintas e sextas, das 19h às 23h; Sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 17h
    • Instagram: @cozinhasantoantonio
  • Casca
    • Endereço: Rua Outono, 579 – Carmo, Belo Horizonte
    • Funcionamento: Quarta e quinta, das 18h às 23h; Sexta, das 18h à 0h; Sábado, das 17h à 0h
    • Instagram: @casca_bar
  • Casulo
    • Endereço: Rua Olhos d’Água, 01 – Lapinha da Serra, Santana do Riacho/MG
    • Funcionamento: Terça a quinta, das 12h às 21h; Sexta, das 18h30 às 22h30; Sábado, das 12h às 22h30; Domingo, das 12h às 21h
    • Informações: (31) 98408-0368 | Instagram: @casulolapinhadaserra

Seja resgatando memórias das cozinhas de avó ou surpreendendo paladares em combinações contemporâneas e autorais, o uso de folhas como a taioba, a ora-pro-nóbis e a maria-gondó reforça a riqueza da gastronomia mineira. Ao valorizar o cultivo local e o saborear de ingredientes tão nossos, os chefs provam que a verdadeira sofisticação reside na capacidade de transformar o simples do quintal em um patrimônio gastronômico inesquecível.

📷 Capa: Cozinha Santo Antônio – Crédito: Luisa Maciel