A aquisição da casa própria na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) está fortemente ligada à busca por segurança financeira e patrimonial. É o que revela a pesquisa “Retratos do Morar”, realizada pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo QuintoAndar, com dados divulgados em 1º de outubro de 2025.
De acordo com o levantamento, um em cada três moradores (33%) da RMBH cita ter a garantia de um imóvel próprio como um dos principais motivos para comprar hoje. Esse percentual demonstra um perfil mais pragmático na capital mineira, sendo numericamente superior ao registrado em outras grandes regiões metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro (onde a motivação é citada por 25%).
“É interessante notar um perfil mais pragmático na Grande BH, que, diante de um cenário de maior restrição orçamentária, enxerga a aquisição da casa própria não apenas como um desejo, mas, acima de tudo, como a construção de um patrimônio sólido e uma garantia de estabilidade para o futuro”, afirma Thiago Reis, gerente de Comunicação e Dados do QuintoAndar.
Desejo Forte, Barreiras Financeiras
Apesar da motivação pragmática, o sonho da casa própria continua vivo: quase metade (47%) da população da RMBH declara a intenção de comprar um imóvel, enquanto 9% pretendem alugar.
Os outros motivos mais citados para a compra, na ordem, são:
- Realizar um sonho (31%)
- Ter imóvel melhor que o atual (29%)
- Não ter que pagar aluguel (28%)
No entanto, o desejo esbarra na realidade financeira. As principais barreiras para a compra são o alto valor dos imóveis (31%) e, principalmente, a falta de dinheiro para arcar com a entrada ou as parcelas do financiamento (50%). Além disso, 33% dos entrevistados admitem que as despesas atuais já consomem toda ou quase toda a renda.

Raio X da Moradia e Resistência a Novos Modelos
A pesquisa também traça o perfil da moradia na RMBH:
- Satisfeitos: 7 em cada 10 moradores dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a residência atual.
- Tipo de Imóvel: 67% moram em casas (ruas abertas, condomínios ou vilas) e 30% em apartamentos/studios.
- Fatores de Escolha: O fator mais importante ao escolher um imóvel é a segurança e tranquilidade do local (44%), seguido pela acessibilidade a serviços e comércio (33%).
Curiosamente, a população da Grande BH demonstra uma resistência mais acentuada a modelos de moradia compacta ou colaborativa. Um em cada quatro entrevistados (25%) diz que não moraria “de jeito nenhum” em uma tiny house (casas pequenas de até 37 m²), um percentual mais alto que em outras metrópoles.
A resistência é ainda maior com relação aos cohousings (moradias colaborativas com áreas comuns compartilhadas), com 40% dos entrevistados afirmando que jamais morariam nesse formato.
“Diferentemente de grandes capitais como São Paulo ou Rio, onde a oferta de apartamentos compactos já é uma realidade há mais tempo, o morador da Grande BH tem como referência imóveis mais amplos. Por isso, a transição para um novo modelo representa uma quebra de paradigma e encontra, naturalmente, uma resistência mais acentuada”, conclui Thiago Reis.
📸 Capa: Crédito: Witthaya Prasongsin/Getty Images












































