A expansão contínua da inteligência artificial (IA) no ecossistema corporativo tem transformado a tomada de decisões, mas também impõe desafios complexos às estruturas de governança e compliance. A busca por equilíbrio entre a adoção tecnológica e a mitigação de riscos foi o eixo central do debate “Inteligência Artificial, Governança e os Novos Desafios Corporativos”, promovido recentemente pela Comissão de Compliance da OAB/MG, em parceria com o escritório Corrêa Ferreira Advogados (Cfa) e o CLA Brasil.
O encontro reuniu cerca de 50 lideranças — entre executivos, diretores e especialistas das áreas jurídica, de tecnologia, governança e gestão — para discutir como as companhias podem utilizar ferramentas de IA de forma responsável e segura.
O Risco da “IA Invisível” no Fluxo Corporativo
Um dos principais alertas levantados durante o evento é a falta de mapeamento adequado das tecnologias já em uso nas empresas. Muitas organizações adotam soluções generativas ou softwares de terceiros sem um inventário claro de como os dados são processados.
“O avanço técnico evolui em ritmo acelerado, muitas vezes acompanhado de riscos invisíveis, difíceis de identificar e complexos em justificar. Em muitas empresas não há inventário estruturado dos sistemas de IA utilizados, especialmente quando envolvem fornecedores ou modelos generativos integrados a fluxos internos,” destaca Júlia Ruela, coordenadora de Compliance no Cfa e presidente da Comissão Estadual de Compliance da OAB/MG.
Segundo a especialista, esse descompasso amplia a exposição das instituições a contingências jurídicas e reputacionais, exigindo mecanismos capazes de identificar e mitigar impactos negativos, sobretudo em relação aos direitos fundamentais dos cidadãos.
Perspectivas Multidisciplinares sobre o Tema
O painel reuniu especialistas de diferentes áreas para debater estratégias de adaptação, segurança e regulamentação:
- Segurança e Riscos: Honazi Farias, professor da FIA Business School, ex-delegado da Polícia Federal e coordenador de segurança no Aeroporto de Guarulhos, abordou os aspectos de segurança da informação e proteção contra vulnerabilidades.
- Tecnologia e Negócios: Marcos Silva, diretor de Tecnologia da Falconi e professor da pós-graduação da PUC Minas, analisou a aplicação prática da IA para eficiência operacional e tomada de decisão estratégica.
- Direito e Regulamentação: Leonardo Parentoni, professor da UFMG e do Ibmec/MG e coordenador mundial do Grupo de Trabalho em IA e Direito do Consórcio de Faculdades de Direito do BRICS, discutiu os contornos regulatórios e o impacto das novas diretrizes jurídicas globais.
A mediação do debate ficou a cargo de Fernando Bagno, supervisor jurídico e co-coordenador do Grupo de Inovação do Departamento Jurídico da Stellantis South America.
Como as Empresas Devem se Preparar
As discussões do evento apontaram caminhos práticos para as organizações que desejam adotar a IA de forma sustentável:
- Mapeamento e Inventário: Identificar todas as ferramentas e algoritmos em uso por colaboradores e fornecedores.
- Políticas Internas: Criar diretrizes claras de uso aceitável de IA generativa no ambiente de trabalho.
- Avaliação de Fornecedores: Exigir transparência contratual quanto ao treinamento e segurança dos modelos de IA contratados.
- Comitês Multidisciplinares: Integrar as áreas de Tecnologia, Jurídico, Compliance e Negócios na avaliação de novas ferramentas.
📷 Capa: (da esquerda para a direita): Leonardo Parentoni, professor da UFMG; Marcos Silva, diretor de Tecnologia da Falconi; Júlia Ruela, coordenadora do setor de Compliance do Cfa e presidente da Comissão Estadual de Compliance da OAB/MG; Fernando Bagno, supervisor jurídico; e Hozani Farias, e coordenador de segurança no Aeroporto de Guarulhos – Formato Adaptada por IA












































