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TEMPO E ALGORITMOS – CIA PIERROT LUNAR ESTREIA “EU QUERO SER UMA LOCOMOTIVA” NO CCBB BH

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A aclamada Cia Pierrot Lunar apresenta o seu mais novo espetáculo teatral, “Eu Quero ser Uma Locomotiva”, no palco do CCBB BH. A montagem joga um olhar sensível e provocador sobre a capacidade humana de restauração e reinvenção, debruçando-se especialmente sobre as vivências, memórias e escolhas da geração com mais de 50 anos. A temporada se estende no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, com sessões de sexta a segunda-feira, sempre às 20h.

A peça marca o primeiro encontro criativo do grupo com a diretora Lydia Del Picchia, do renomado Grupo Galpão. A trama propõe uma imersão poética e bem-humorada no choque geracional de quem viveu a infância e a juventude no mundo analógico e, hoje, precisa navegar pela aceleração da era dos algoritmos.

Uma Arqueologia Visual e Sonora dos Cinquentões

Inspirada livremente por um verso da canção “Quero Ser Locomotiva”, de Jorge Mautner, a peça traz à cena dois “algoritmos pré-históricos do futuro” que envelhecem dentro de uma cápsula à deriva no espaço — um mausoléu digital que orbita os escombros da memória humana. No palco, os atores e fundadores da companhia, Neise Neves e Léo Quintão, dão vida a esses personagens que tentam, a todo custo, burlar o tempo e deixar um registro de sua existência.

“Nós percorremos uma trajetória que vai de um tempo ao outro com profundas mudanças no percurso. Passamos pelo carro sem cinto de segurança, pela fita cassete, e de repente tivemos que aprender a deixar fotos na nuvem. O espetáculo busca entender o que será o percurso a partir de agora”, reflete a atriz Neise Neves.

Para construir essa atmosfera de transição, a cenografia de Ed Andrade exibe relíquias de um passado recente, adquiridas após um minucioso garimpo por tradicionais lojas do Centro de Belo Horizonte e do Mercado Novo. Aparelhos de orelhão, telefones antigos, máquinas de escrever e um clássico mimeógrafo ganham vida nova em cena. Eles são manipulados em tempo real pela sonoplastia sônica e trilha original de Luiz Rocha, onde o ruído do mimeógrafo e os ganchos de telefone transformam-se em efeitos poéticos e microfones de contato.

Dramaturgia Coletiva e Elemento Surpresa

Escrita a várias mãos, a dramaturgia de “Eu Quero Ser Uma Locomotiva” une visões de diferentes gerações, costurando os textos de Lydia Del Picchia, Márcia Bechara, Jô Hallack, Arthur Barbosa e Ana Regis. Longe de propor uma distopia pessimista ou uma mera coleção de nostalgias, o texto foca no desejo e no amanhã.

Como grande novidade na dinâmica do espetáculo, a encenação introduz uma terceira figura surpresa: um personagem que entra em cena para avisar que o tempo está se esgotando, funcionando como uma testemunha externa. Para garantir o frescor da temporada, este papel será interpretado por um artista convidado diferente a cada semana.

Serviço

  • Espetáculo: “Eu quero ser uma locomotiva” – Cia Pierrot Lunar
  • Temporada: De 3 a 27 de julho de 2026
  • Horário: Sexta a segunda-feira, às 20h
  • Local: CCBB BH – Teatro I (Praça da Liberdade)
  • Classificação: 12 anos | Duração: 70 minutos
  • Acessibilidade: Sessões com intérprete de Libras nos dias 11 e 25 de julho (sábados).
  • Bate-papo com o público: Sessões de 6 de julho (segunda) e 24 de julho (sexta) terão debate gratuito após a apresentação.
  • Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda na bilheteria física ou pelo site ccbb.com.br/bh. Clientes Banco do Brasil com cartão BB possuem 50% de desconto.
  • Mais informações: (31) 3431-9400 – Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh | E-mail: ccbbbh@bb.com.br

📷 Capa: Quero ser uma locomotiva – Crédito: Guto Muniz